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O SÍTIO DO PICAPAU AMARELO

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terça-feira, 17 de setembro de 2024

ERVA-MATE - História

História sobre a ERVA-MATE

Quando os europeus chegaram por aqui, cinco séculos atrás, depararam com um estranho hábito cultivado pelos povos indígenas. Depois de arrancadas de árvores que alcançam até oito metros de altura, folhas verdes, ovais e coriáceas eram tostadas, moídas e colocadas sob infusão em cabaças, de onde o líquido era sugado com um canudo, geralmente feito de taquara ou osso.

A História do Rio Grande do Sul é banhada em sangue, marcada por interesses religiosos, econômicos e territoriais. Nesse contexto, o chimarrão passa de “erva do diabo” a “garimpo verde”, tamanho o valor adquirido pelo chá que colocava pajés em transe, curava de borracheira à crises de gota e ainda revigorava as tropas antes da roça e depois das batalhas. O chimarrão tem tamanha importância nessa trajetória histórica desse povo.

O chimarrão é atualmente o hábito típico mais difundido entre os gaúchos. Logo atrás do famoso chá de erva-mate estão o arroz de carreteiro e o churrasco. O interessante é que esses três hábitos fazem parte da rotina dos gaúchos independente de quais sejam sua faixa etária e classe social.

O mate tradicional deve ser feito em uma cuia de porongo, sorvido com uma bomba (espécie de canudo) de prata com bocal de ouro. A água deve ser fervida até o primeiro chio da chaleira, quando está numa temperatura entre 75 e 78 graus. A erva pode ser a chamada tradicional (mais comum entre os gaúchos), ou a argentina, mais forte e amarga. A cultura do mate, assim como ele é tomado no Estado, deve ser preservada, até porque esse hábito teve origem há quase 400 anos.

No início do século XVII, os primeiros padres jesuítas chegaram à América do Sul, na região do Guairá (hoje Leste do Paraguai, Oeste do Estado do Paraná e Sul do Mato Grosso do Sul). À medida que foram convivendo com os índios Guarani e Kaingang, os padres começaram a observar e em alguns casos incorporar os hábitos dos nativos. Um desses costumes era o tererê, um chá feito com erva mate e água fria, e tomado em cuias de porongo com o uso de um canudo de bambu. Até hoje o tererê é muito popular no Paraguai, no Mato Grosso do Sul e no Oeste do Paraná. Os jesuítas, seguindo o exemplo dos ingleses, que tomam o seu chá quente, resolveram esquentar a água do tererê. Começava, então, a nascer o chimarrão assim como nós o conhecemos hoje. No ano de 1626, os padres chegaram ao Rio Grande do Sul, mas não ficaram por muito tempo, já que em 1641 foram expulsos pelos bandeirantes. Mas, em 1682, eles voltaram e, dessa vez, conseguiram se estabelecer no Estado, formando os Sete Povos das Missões.

Aos poucos, os índios locais começaram a gostar do “chá” trazido pelos jesuítas e não demorou muito para que o mate fosse incorporado à sociedade gaúcha. Durante os séculos XVIII e XIX, o chimarrão foi a bebida oficial do gaúcho. No entanto, a partir do início do século XX, o consumo do “mate amargo” começou a entrar em declínio. Isso se deu por causa da grande influência dos hábitos americanos e franceses que invadiram o Estado nessa época. Nesse período, o gauchismo estava em declínio, era visto como algo atrasado, conservador.

No ano de 1948, surge o Movimento de Tradições Gaúchas, liderado por Luiz Carlos Barbosa Lessa e por João Carlos Paixão Cortes. A ideia do MTG era resgatar e difundir as tradições típicas do Estado. Entre elas, estava o chimarrão, que, a partir de então, voltou a conquistar adeptos, principalmente entre a população do interior e as pessoas de mais idade. Além de popularizar, o movimento tradicionalista também fortaleceu o lado socializante do mate. Manoelito Savaris destaca que no Uruguai e no Paraguai a bebida é tomada de forma solitária, o que justifica o uso de uma cuia menor. Já no Rio Grande do Sul e na Argentina só se toma chimarrão sozinho quando falta companhia. Mas foi durante a década de 1980, com os festivais de música gauchesca, como a Califórnia da Canção Gaúcha que ocorre até hoje em Uruguaiana, que o mate conquistou os jovens do Estado. A partir de então, o hábito só vem se espalhando entre os gaúchos, onde quer que eles estejam. Hoje em dia, com a melhoria das técnicas de conservação (como a erva embalada em vácuo), é possível encontrar erva de boa qualidade em outros Estados, e até mesmo em outros países. Os gaúchos que estão na Califórnia, Europa, Austrália ou Japão podem encontrar o produto em lojas de artigos brasileiros.

ERVA-MATE - Produção

A erva-mate, como espécie nativa, tem produção no Brasil, nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Na Argentina, ocorre na Província de Misiones, parte da Província de Corrientes e em pequena parte da Província de Tucumã. No Paraguai, ocorre na área situada entre os rios Paraná e Paraguai, segundo a EMBRAPA. O produto, consumido na forma de infusão, era utilizado originalmente pelos nativos antes da chegada dos colonizadores e faz parte, ainda hoje, dos hábitos de grande parte da população dos países do chamado cone sul.

Na América do Sul, o Brasil é o maior produtor com cultivo da erva-mate, considerada cultura permanente, assume importância particular nos três estados da região sul do Brasil. A partir das iniciativas de melhoramento dos cultivares nas pequenas e médias propriedades rurais, com o desenvolvimento de técnicas silviculturais e com a introdução de mecanização em parte do processo de produção do setor ervateiro.

Atualmente, a erva-mate está sendo considerada um importante fitoterápico, devido a sua qualidade medicinal. Pesquisas vêm sendo desenvolvidas no intuito de elaborar variados produtos alimentícios, farmacológicos, cosméticos, entre outros, derivados da erva-mate. Mais recentemente, a EMATER/RS criou a Certificação da Qualidade da erva-mate que é pioneira no Brasil. No processo de certificação, são auditados aproximadamente 150 itens que buscam garantir a adoção de boas práticas agrícolas e de fabricação, além de atender a outras normas e legislações visando qualificar, diferenciar e valorizar o produto-símbolo do estado do Rio Grande do Sul no mercado nacional. Constitui também uma das estratégias para a conquista do mercado externo.

No Brasil, o estado do Rio Grande do Sul é responsável por 44% da produção de folha verde de erva-mate, com uma média de 226.986 toneladas/ano no período de 2018-2020. Em seguida vem o Paraná com 202.673, Santa Catarina com 88. 847 e, por último, Mato Grosso do Sul com 1.412 toneladas/ano.

Localizados, principalmente no norte do Estado gaúcho, os municípios maiores produtores, em média no triênio 2018-2020, são Ilópolis com 31.500 toneladas/ano, Arvorezinha com 30.350 e Palmeira das Missões com 20.067 toneladas/ano.


Exercícios:

1- A História do ………………………………….. é banhada em sangue, marcada

por interesses religiosos, econômicos e territoriais.

O …………………………..tem tamanha importância nessa trajetória histórica

desse povo.

2- O chimarrão é atualmente o hábito típico mais difundido entre

os ………………………….. Logo atrás do famoso chá de erva-mate estão o

arroz de carreteiro e o ………………………………

3- No ano de 1948, surge o …………………………………………….., liderado por Luiz

Carlos Barbosa Lessa e por João Carlos Paixão Cortes. A ideia do

MTG era resgatar e difundir as ……………………………………………………………………….. Entre

elas, estava o chimarrão.

4- Hoje em dia, com a melhoria das técnicas de conservação, é

possível encontrar ……………………………………………………………. em outros Estados.

5- A erva-mate, como espécie nativa, tem produção no Brasil, nos

estados do …………………………………………………………………………………..Atualmente,

a ………………………………… está sendo considerada um importante fitoterápico,

devido a sua qualidade medicinal.


* Deonisio Formentini, professor de História


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