Os fogos de artifício são uma das formas de entretenimento mais antigas do mundo. Eles foram criados há mais de dois mil anos, durante a dinastia Han (206 a.C.-220 d.C.) na China.
Naquela época os chineses já dominavam o uso da pólvora, uma mistura de salitre, enxofre e carvão. Entre seus usos estavam os fins recreativos. Os primeiros fogos de artifício eram bambus cheios de pólvora. Eles eram acesos e explodiam, emitindo um barulho forte e uma fumaça colorida.
Há cerca de 1000 anos já havia registros de tiros coloridos de morteiros para fins militares, que comemoravam vitórias nas guerras. Cada cor era resultado de uma mistura diferente.
Não demorou muito para que os militares adotassem a pólvora. Também foram os chineses que construíram os primeiros canhões, usando-a para lançar projéteis contra seus inimigos. Segundo a tradição, os chineses viam nos barulho emitido pelos fogos uma maneira de afastar os maus espíritos. Por isso, esses fogos tornaram-se populares em festivais e celebrações de ano novo chinês e são uma parte importante da cultura chinesa.
O uso de fogos de artifício chegou ao ocidente no século XIII, durante as invasões mongóis. No século XIV, os fogos de artifício eram populares em toda a Europa e de lá se espalharam para o restante do mundo.
Quem também se amarrou nos fogos foram os americanos. Ou melhor, o que viriam a ser os americanos. Depois de sua independência em 1776, os cidadãos dos recém-formados Estados Unidos da América organizaram seu primeiro show de fogos. Na Filadélfia, em 4 de julho de 1777, começou a tradição gringa de um Dia da Independência com muitos fogos de artifício.
Com o passar dos anos, a pólvora utilizada nos fogos de artifício foi levada para a Europa e Oriente Médio onde, graças ao avanço do estudo da química, foi possível aperfeiçoar o item, e transformá-lo nos belos fogos que vemos nos céus hoje em dia.
Os fogos de artifício aterrissaram no Brasil junto com os imigrantes italianos e portugueses, há mais de um século e, teriam se popularizado com a chegada da família real, em 1808. No entanto, por aqui, o item passou a ser utilizado muito além das festividades de final de ano, sendo extremamente comum as pessoas soltarem fogos em eventos esportivos, celebrações religiosas, ou até mesmo eventos particulares como pedidos de casamento ou chá revelação.
Mas afinal, como são produzidas as cores dos fogos de artifício? Como em quase tudo na vida, o segredo está na química, e conta com uma importante participação da indústria do setor de cloro-álcalis.
As cores e efeitos pirotécnicos presentes nos fogos de artifícios são geradas por componentes conhecidos como "baladas" - que produzem uma luz intensa quando entram em ignição. Estas baladas são produzidas com quatro componentes químicos básicos:
⇒Um combustível (geralmente pólvora negra)
⇒Um oxidante (que em conjunto com o combustível produz calor)
⇒Minerais e sais para cor (quando o combustível em si não gera a cor)
⇒Um aglutinante (para manter todos os componentes juntos)
As cores são definidas por uma variedade de sais minerais que ao serem queimados geram diferentes cores.
Na tabela a seguir, estão listados os principais minerais e sais utilizados para formar cores em fogos de artifício.
A coloração que vemos durante a queima dos fogos é produzida a partir do uso de diferentes sais em reação ao calor liberado nas explosões da pólvora. Alguns desses sais são encontrados na natureza e são obtidos diretamente pela extração ou mineração. Já outros precisam ser produzidos e fornecidos pelas indústrias de cloro-álcalis utilizando-se diferentes metodologias, entre elas o processo conhecido como eletrólise, que consiste na passagem de corrente pela salmoura, solução de água e de sais.
O estampido dos fogos de artifício causa muita polêmica por conta dos impactos causados em idosos, pessoas com deficiências, crianças e animais, especialmente aqueles que possuem uma audição apurada, como os cães. Por conta disso, muitas cidades têm restringido o uso de fogos com estampido. Mas isso não significa o fim do espetáculo. Há diversas opções de fogos que produzem apenas efeitos visuais, sem estampido ou com barulho de baixa intensidade. A pirotecnia exige conhecimentos químicos avançados.
E se o barulho é um problema, ele não precisa ser. Uma inovação já em campo são os fogos “silenciosos”. Eles são do tipo que sobe e… nada – porque não explodem como os outros. Nesse modelo, a queima do pó metálico é lenta e gradual, acontecendo ao longo da subida.
Esses fogos não são 100% mudos: ainda há som, mas ele é muito menor do que o habitual. É o suficiente para tranquilizar bebês, animais e outras pessoas sensíveis a sons altos.
Alguns estados do Brasil já têm leis que proíbem a venda e o uso de fogos de artifício “tradicionais” – esses silenciosos são permitidos. E é assim que as tradicionais comemorações de Ano-Novo ao redor do país podem continuar.
* Deonisio Formentini, professor de História.