A LENDA DO NEGRINHO DO PASTOREIO:
Conta a lenda que nos tempos da escravidão, havia um estancieiro malvado com
negros e peões. Em um dia de inverno, fazia muito frio e o fazendeiro mandou que
um menino negro de quatorze anos fosse pastorear cavalos e potros que acabara de
comprar. No final da tarde, quando o menino voltou, o estancieiro disse que faltava
um cavalo baio.
Pegou o chicote e deu uma surra tão grande no menino que ele ficou sangrando. Disse
o estancieiro: "Você vai me dar conta do baio, ou verá o que acontece". Aflito, o
menino foi à procura do animal. Em pouco tempo, achou o cavalo pastando. Laçou-o,
mas a corda se partiu e o cavalo fugiu de novo.
De volta à estância, o estancieiro, ainda mais irritado, bateu novamente no menino e o
amarrou nu, sobre um formigueiro. No dia seguinte, quando ele foi ver o estado de sua
vítima, tomou um susto. O menino estava lá, mas de pé, com a pele lisa, sem nenhuma
marca das chicotadas. Ao lado dele, a Virgem Nossa Senhora, e mais adiante o baio e os
outros cavalos. O estancieiro se jogou no chão pedindo perdão, mas o negrinho nada
respondeu. Apenas beijou a mão da Santa, montou no baio e partiu conduzindo a
tropilha. A partir disso, entre os andarilhos, tropeiros, mascates e carreteiros da
região, todos davam a notícia, de ter visto passar, como levada em pastoreio, uma
tropilha de tordilhos, tocada por um Negrinho, montado em um cavalo baio. Desde
então, quando qualquer cristão perdia uma coisa, fosse qualquer coisa, pela noite o
Negrinho procurava e achava, mas só entregava a quem acendesse uma vela, cuja luz
ele levava para pagar a do altar de sua madrinha, a Virgem, Nossa Senhora, que o livrou
do cativeiro e deu-lhe uma tropilha, que ele conduz e pastoreia, sem ninguém ver.
SOBRE A LENDA:
O Negrinho do Pastoreio é um personagem do folclore brasileiro conhecido na região
sul do Brasil. De origem africana e cristã, a lenda surgiu em meados do século XIX e
conta a história de um menino escravo que recebeu um milagre de Nossa Senhora por
ser um inocente que sofre com castigos de um fazendeiro.
O Negrinho do Pastoreio, é considerado uma narração pesada, triste, e ao mesmo tempo,
de fé, esperança, compaixão e liberdade. A história foi contada nas obras dos escritores,
Alberto Coelho da Cunha em 1.872, Apolinário Porto Alegre em 1.875, e Alfredo Varela
em 1.897. Em 1.906, João Simões Lopes Neto, publicou a lenda em folhetim (narrativa
literária) na imprensa de Pelotas, no Rio Grande do Sul. João Simões também divulgou a
história no seu livro “Lendas do Sul”, em 1913.
Negrinho do Pastoreio é considerado santo das causas perdidas. Por isso, conforme a
tradição popular, quem perde algo e tem dificuldade de encontrar acende uma vela e pede
ajuda ao Negrinho para encontrar o que perdeu.
Atividades:
1-Numere a sequência dos fatos que resultaram no castigo maior sofrido pelo
negrinho do pastoreio:
( ) o filho do estancieiro diz ao pai que o Negrinho tinha deixado os cavalos
fugirem.
( ) a madrinha do menino ajuda-o a procurar os cavalos;
( ) Um vizinho desafia o estancieiro para uma corrida de cavalos;
( ) O Negrinho e castigado e obrigado a cuidar dos cavalos por 30 dias;
( ) O Negrinho perde a corrida na última hora;
( ) O filho do estancieiro espanta os cavalo;
2) O estancieiro era bom ou ruim? Por quê?
3) Qual era a função do negrinho?
4- A lenda do Negrinho do Pastoreio surgiu em qual região do Brasil?
( ) Sudeste
( ) Centro-Oeste
( ) Norte
( ) Sul
Complete:
5- De acordo com a crença, ao perder alguma coisa, basta pedir para
o ……………………… que ele ajuda a encontrar.
6- Como madrinha e protetora, o Negrinho do Pastoreio tem
a ………………………………
Gabarito:
1- 5;6;1;3;2;4
2- era ruim e ainda maltratava os peões e escravos
3- Cuidar do gado;
4- Sul
5- Negrinho do Pastoreio
6- Virgem Nossa Senhora.
* Deonisio Formentini, professor de História.