HISTÓRIA, GEOGRAFIA, ENSINO RELIGIOSO, CULTURA e ATUALIDADES - (filmes, músicas e livros)

O SÍTIO DO PICAPAU AMARELO

MONTEIRO LOBATO - O SÍTIO DO PICA PAU AMARELO A história do Sítio do Picapau Amarelo teve início no ano de 1921, quando Monteiro  Lobato pub...

quarta-feira, 23 de abril de 2025

APROPRIAÇÃO CULTURAL

 A apropriação cultural ocorre quando uma pessoa ou grupo social hegemônico em uma sociedade passa a reproduzir comportamentos, hábitos, vestuários, objetos, linguagens de grupos sociais marginalizados. Essa prática desinveste o significado sagrado ou político que esses últimos conferem aos elementos culturais, substituindo-os por outros significados, geralmente ligados ao entretenimento e à estética, promovendo o esvaziamento e colonização desses elementos sem, em contrapartida, gerar benefícios ao grupo que produziu aquela cultura.

O que é apropriação cultural?

É uma estratégia de dominação que visa apagar a potência de grupos histórica e sistematicamente inferiorizados, esvaziando de significados todas as suas produções, como forma de promover seu genocídio simbólico. Apropriação cultural e racismo são temas imbricados”.

Apropriação cultural consiste em adotar elementos específicos de outra cultura fora do seu específico contexto e significado. Esse assenhoreamento pode se dar no campo do comportamento, da linguagem, da estética, das artes, da música, da religiosidade, da técnica e conhecimento, enfim, de múltiplos aspectos culturais.

A discussão sobre apropriação cultural não é, como aparenta, um purismo cultural pelo qual só podem usufruir de artefatos ou elementos produzidos por uma cultura aqueles que participaram em sua criação. A questão, conforme a pesquisadora de relações raciais Suzane Jardim, é a relação entre grupos hegemônicos e marginalizados, historicamente marcada por etnocentrismo, preconceito e exclusão. Nesse contexto, a apropriação por grupos hegemônicos dos elementos culturais dos grupos subalternizados ressoa como uma nova faceta dessa experiência histórica de dominação.

A ideia de apropriação cultural não deve ser encarada no campo da individualidade, mas como uma questão estrutural relacionada à sociedade de forma sistêmica. A questão que se coloca é que o uso de determinados elementos culturais fora de seu contexto pode ser desrespeitoso com aquele grupo social, ou a imitação pode soar pejorativa e caricata.

Outra reflexão comumente feita é o fato de determinadas culturas não serem bem aceitas por um grupo cultural dominante, porém, em situações de apropriação cultural, traços de sua cultura se tornarem palatáveis àqueles que rejeitam seu grupo originário pelo simples fato de estarem sendo utilizados por pessoas de fora desse grupo.

Origem da apropriação cultural

A problematização da apropriação cultural é um fenômeno que se desenvolveu no contexto do capitalismo em seu processo de expansão global. Por quê? Por, no mínimo, três motivos. 

O primeiro é que a indústria cultural transforma cultura em mercadoria, esvaziando-a de outros significados para lhe imprimir um significado comercial, estético e de entretenimento. 

O segundo é que a globalização acelerou o contato intenso entre culturas de diversas partes do mundo, não somente por meio das tecnologias, mas principalmente das migrações e diásporas, que concebem sociedades multiculturais, com diversas línguas, costumes e visões de mundo, partilhando os mesmos territórios.

O terceiro é que no florescer das democracias representativas liberais, estreitamente ligadas ao capitalismo, formaram-se grupos políticos de pressão e reivindicação de direitos cuja coesão está vinculada a identidades culturais. São os grupos identitaristas vinculados a movimentos sociais, como os movimentos negros, feministas e de diversidade sexual. Nesse contexto, a construção de identidades se reveste de fundamental importância e requer o resgate de práticas e artefatos que remetem a uma conexão profunda com o passado (ancestralidade) na ânsia de produzir significados no presente secularizado.

Assim, a resistência cultural desenvolvida pelos grupos identitários étnico-raciais, por exemplo, busca elementos originários de povos africanos ou de antepassados escravizados no Brasil para ressignificá-los no enfrentamento ao racismo em sua manifestação contemporânea.

Pontos positivos e negativos

Como ponto positivo, podemos apontar que situações de apropriação cultural possibilitam o diálogo sobre o tema com aqueles que não estão familiarizados. Muitas pessoas praticam apropriação cultural sem terem consciência disso, por isso essa discussão não deve ser reduzida ao campo das relações individuais, tampouco ser norteada pela “política do cancelamento”, mas tratada com ponderação, guardando as devidas proporções de cada situação para não dar lugar à intransigência e desagregação.

Assim, é um momento oportuno à prática da alteridade, para escutar grupos que se sentem constrangidos e repensar práticas que parecem inofensivas, mas para outrem são incômodas, e também para o “letramento racial”, isto é, buscar estudar e compreender os elementos simbólicos de uma etnia à qual você não pertence, mas deseja se aproximar e consumir artefatos. O conhecimento da história e significado do objeto gera aproximação e abre possibilidade para a cooperação com aquele grupo étnico de outras maneiras, como a prática do antirracismo.

Como ponto negativo, quando elementos culturais não brancos são retratados de maneira caricata e estereótipos são reforçados, há a perpetuação do racismo e o esvaziamento do potencial político quando tais elementos são reduzidos a propósitos comerciais.

Consequências da apropriação cultural

Trocas culturais são comuns, constantes e bem-vindas entre diferentes culturas. Qual é a diferença entre troca e apropriação cultural? Na apropriação cultural, existe uma hierarquia bem definida entre os dois povos, de modo que aquele que se apossa dos conhecimentos, símbolos e objetos não oferece uma devolutiva à altura do que recebe – não é uma troca recíproca, mas exploradora. As consequências disso para o povo que sofre esse processo são a expropriação, o esvaziamento, o enfraquecimento, prejuízos num longo arco que vai desde o extremo simbólico do desrespeito, a desarticulação política por direitos até o extremo material de perdas de recursos financeiros, humanos, técnicos.

Exemplos de apropriação cultural

Um exemplo comum de apropriação cultural é uma pessoa que não comunga de determinada religião utilizar como enfeite cotidiano artefatos que para seus adeptos são sagrados, representam proteção ou ligação com o divino.

Outro exemplo é a caracterização com elementos de uma cultura alheia para entretenimento e diversão, como o blackface, que é se pintar de preto e usar peruca de cabelo crespo. Essa prática era utilizada no Brasil nos anos iniciais da televisão, quando atores negros não eram permitidos em novelas e filmes, por isso atores brancos se caracterizavam dessa forma para fazer papéis de mulatos e escravos.

Há também quem utilize blackface para participar de festas à fantasia como o Carnaval. Se você, ao ler isso, pensa ser um exagero, proponho uma reflexão: você acharia engraçado uma caracterização de um judeu a caminho de um campo de concentração? Se a resposta for não, por que uma caracterização jocosa do cruel período da escravidão brasileira seria aceitável?

Um ambiente propício a práticas de apropriação cultural é o mundo da moda. Um exemplo factual é o episódio em que a estilista francesa Isabel Marant foi acusada de copiar um bordado tradicional feito há mais de 600 anos pela comunidade mexicana Santa-Maria Tlahuitoltepec e utilizá-lo em peças vendidas a preços exorbitantes, que não seriam revertidos de nenhuma maneira em benefícios para a comunidade originária que criou o bordado.


*Deonisio Formentini, professor de História.


quarta-feira, 16 de abril de 2025

POVOS INDÍGENAS, parte II

 Organizações e Resistência Indígena

Os povos indígenas estão lutando pela proteção de suas terras, pela defesa de seus direitos — consagrados na legislação nacional e internacional — e por sistemas de saúde e educação que funcionem de acordo com suas culturas e tradições.

Hoje, existem mais de 200 organizações indígenas que estão lutando para defender seus direitos duramente conquistados: a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB); organizações regionais e locais como a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (UNIVAJA), a Associação dos Guarani Kaiowá (Aty Guasu), e muitas outras.

Também existem outras iniciativas indígenas ao redor do país como os Guardiões da Amazônia que estão colocando suas vidas em risco para proteger a floresta da destruição.

Muitos povos indígenas executam seus próprios projetos, como escolas bilíngues e museus, escrevem livros, fazem filmes e gravam vídeos de seus rituais e cerimônias. Outros trabalhos incluem a preservação de bancos de sementes para a diversidade genética dos alimentos e a criação de redes de comunicação indígena, como a Mídia Indígena, que facilitam o compartilhamento de notícias e informações entre os povos e para audiências nacionais e internacionais.

Há décadas, indígenas organizam manifestações em suas regiões e em Brasília para levar suas demandas ao governo e às empresas que estiverem violando seus direitos. No dia 31 de janeiro de 2019, os povos indígenas do Brasil lideraram a maior manifestação internacional pelos direitos indígenas de todos os tempos. Esta data está marcada para sempre como um dia histórico de luta e resistência dos povos indígenas. A luta continuará até que os direitos indígena sejam respeitados e os territórios protegidos.

Legislação e política

Desde os primeiros tempos da colonização o índio recebeu proteção legal. Em 1549, na instalação do Governo-geral em Salvador, apareceu a primeira regulamentação sobre os índios na forma de um Regimento que garantia proteção aos aliados da Coroa e dava aos jesuítas voz ativa nos assuntos relacionados aos índios. Em 1680 um Alvará Régio instituiu o indigenato, o reconhecimento do direito congênito e primário dos povos nativos ao seu território tradicional.] Depois destas leis, muitas outras apareceram para dar salvaguardas aos povos indígenas, mas invariavelmente com poucos efeitos práticos.

Para tentar resolver alguns desafios mais urgentes, o governo criou em 1910 o Serviço de Proteção ao Índio (SPI). O Serviço garantiu a posse de algumas terras tradicionais aos seus ocupantes e as protegeu contra invasões, e reconheceu a importância de suas culturas originais e suas instituições, mas em tudo sua atuação foi tímida. Depois de o Serviço se desestruturar completamente entre grande controvérsia pública, foi substituído pela Fundação Nacional do Índio (Funai) em 1967. A Funai também não encontrou condições fáceis de trabalho, erguendo-se sobre os escombros do SPI, administrando um contexto de perene carestia de recursos humanos e financeiros, enfrentando prolongadas e desgastantes batalhas jurídicas em múltiplas frentes, e tendo em tempos recentes seus poderes reduzidos, também sob vasta controvérsia. Além disso, toda a política oficial na época continuava a se voltar ao objetivo de assimilar os povos à cultura brasileira, negando-lhes o direito à autodeterminação previsto na Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, embora essa linha de pensamento já não fosse um consenso. Mas ainda foi a base do Estatuto do Índio, lei que entrou em vigor em 1973, mesmo que ela tenha trazido muitos avanços para a questão indígena.

Muito em virtude da mobilização dos próprios índios, especialmente através da União das Nações Indígenas (UNI), uma nova visão foi inaugurada com a Constituição de 1988, que declarou "todos são iguais perante a Lei, sem distinções de qualquer natureza" e admitiu o multiculturalismo, reconhecendo vários direitos indígenas importantes, incluindo o direito à posse da terra habitada tradicionalmente e à preservação intacta de suas culturas no ambiente natural necessário para isso. Ocorre que o Estatuto e a Constituição entraram em conflito em aspectos doutrinais e se tornaram imediatamente polêmicos, e a regulamentação das normas secundárias nunca progrediu como deveria. Além disso, o regime de tutela, à qual os índios estão formalmente sujeitos pelo Estado, como definido no Estatuto está em conflito com aquele expresso no Código Civil, há disputa sobre o que quer dizer "terras tradicionais", sobre o significado de etnia, e a controvérsia permanece acesa em torno de vários outros conceitos fundamentais. Tudo isso lança os índios num contexto jurídico incerto e incoerente muito desfavorável aos seus interesses. Também se complica a aplicação de penalidades por crimes cometidos por índios.

Diversos outros dispositivos legais em anos recentes contemplaram interesses indígenas em áreas como saúde, meio ambiente, educação, patrimônio arqueológico e imaterial, assistência social, apoio à produção e regularização fundiária Apesar dos diversos decretos, o índio brasileiro tem que se integrar na cultura brasileira para requerer emancipação. Instâncias internacionais como as Nações Unidas, a Organização Internacional do Trabalho e a Unesco também têm se empenhado na elaboração de convenções e programas de proteção e fomento às culturas indígenas de todo o mundo, com destaque para dois marcos internacionais de grande importância: a Declaração das Nações Unidas sobre Direitos dos Povos Indígenas, de 2007, e sobretudo a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho sobre os Povos Indígenas e Tribais, de 1989, criada por consequência da outra, o único instrumento internacional referente aos índios com força de lei, do qual o Brasil é signatário.

Mesmo com tantas garantias, o Congresso Nacional e as cortes de justiça do Brasil se tornaram arenas de conflitos legais intermináveis, e sob pressão de lobby econômico e político inúmeros projetos de lei apresentados nos últimos anos vêm tentando sabotar ou reverter as conquistas já realizadas, colocando mais combustível numa polêmica antiga que continua degenerando para a violência armada.

Economia e desenvolvimento

Já são raras as tribos que podem viver de acordo com suas antigas práticas, até mesmo os povos isolados estão sob crescente pressão. Este problema está diretamente ligado à conflituosa questão de suas terras. Em 2003, mais de 90% das tribos enfocadas em um estudo de Peter Schröder dependiam principalmente da agricultura. A caça e a pesca, antes muito importantes, ainda são praticadas por quase todas as tribos, mas na maioria das vezes em escala limitada. Piora o problema o fato de que muitas reservas são pequenas, seus recursos naturais estão se exaurindo e já não têm condições de sustentar comunidades em crescimento. Cerca de um terço das reservas enfrenta dificuldades no abastecimento de alimentos e nas infraestruturas, tornando a desnutrição e a pobreza problemas recorrentes, e forçando muitos à migração para fazendas da região ou para as cidades, em busca de melhores condições. Alguns, porém, migram em busca de educação, de reconhecimento, de atendimento médico e outros motivos. Já são muitos os índios que cursam universidades, exercem profissões liberais e técnicas e mesmo ingressam na política partidária — como foi o caso do notório Juruna —, influenciando a realidade nacional em múltiplos níveis.

Constitucionalmente os índios têm direito à participação nos lucros derivados de investimentos e obras em suas terras, mas como a Lei nem sempre é cumprida, em grande número de casos os povos acabam explorados sem compensações adequadas, sofrendo sérios impactos sociais negativos e vendo o ambiente de que precisam para viver ser destruído e poluído. Projetos de mineração, usinas hidrelétricas, exploração madeireira, agropecuária, grilagem de terras e obras de infraestrutura como estradas e linhas de transmissão energética, são os que geram mais problemas. Muitas comunidades já tomaram conhecimento, através dos civilizados, do aquecimento global e dos prejuízos que o fenômeno vem causando para o meio ambiente em todo o mundo, danos que eles corroboram através de observações diárias, sofrendo com as mudanças nas chuvas, com a redistribuição ou declínio de espécies selvagens, e com as secas mais intensas, que prejudicam suas economias baseadas na terra.

Outras dificuldades advêm dos múltiplos modelos produtivos adotados tradicionalmente pelos vários povos, complicando o estabelecimento de políticas consistentes. Em geral suas economias se caracterizam pela ausência de instituições formais de produção e distribuição de produtos, pelo baixo grau de especialização, pelo baixo nível tecnológico, pelos mercados pequenos, por um sistema de trocas não monetárias, pela ênfase (ainda que não exclusiva) na economia de subsistência, e pela complexidade da integração com o sistema capitalista. Contudo, uma expressiva parcela da população autodeclarada como indígena, calculada em 2006 entre 100 e 190 mil pessoas (mas podem ser até 350 mil) já não vive em reservas, e está plenamente imersa no sistema econômico capitalista, embora em geral, com muito menos preparo, atua em grande desvantagem em relação aos seus irmãos civilizados e obtém resultados bem mais fracos. A maioria acaba virando mão de obra barata e termina seus dias em favelas nos grandes centros urbanos, incapaz de conquistar uma vida digna.

Para ajudar a resolver esses desafios o governo e entidades privadas, em parceira com as comunidades, estão desenvolvendo vários projetos para o desenvolvimento econômico e social das tribos, enfocando o manejo sustentável dos recursos naturais, a organização de cooperativas, grupos de artesãos e outras formas de economia solidária, e articulação de um sistema de comércio integrado a economia formal, colocando excedentes de colheitas ou artefatos étnicos em feiras regionais, o que tem sido importante fonte de renda para muitas comunidades. Embora essas iniciativas atendam a demandas urgentes de sobrevivência, têm o inconveniente de estreitar cada vez mais os laços dos indígenas com a civilização, dissolvendo progressivamente seus costumes tradicionais, um fenômeno que causa por si diversos efeitos deletérios sobre os indivíduos e grupos, como já foi explicado. Mas segundo Ana Carolina Coimbra, trabalhando sobre o caso dos fulni-ô mas descrevendo uma conjuntura que é comum, disse que os índios têm procurado absorver essas mudanças legítima e criativamente: "Este tipo de ação está inserido em um processo de mudança cultural que implica na ressignificação de elementos externos à cultura a partir de uma lógica própria. Neste caso específico, o contexto em que estão inseridas as comunidades indígenas as leva à apropriação de um discurso político étnico visando sua autodeterminação e autogestão, e a uma consequente revalorização cultural.


*Deonisio Formentini, professor de História.



segunda-feira, 14 de abril de 2025

POVOS INDÍGENAS, parte I

 POVOS INDÍGENAS...

Os povos indígenas no Brasil são a parcela população descendente dos povos originários, que podem ser definidos como aqueles que estavam no território brasileiro muito antes da chegada dos colonizadores portugueses. Atualmente existem mais de 260 povos indígenas no Brasil, somando uma população de 1,6 milhão de habitantes ou 0,83% da população do país. Alguns dos povos indígenas no Brasil são: guarani; ticuna; caingangues; macuxi; yanomami; terena; guajajara; xavante; potiguara; pataxó.
A maioria dos povos indígenas brasileiros vive na região Norte do país, nos estados por onde se estende a Amazônia Legal. A diversidade étnica e linguística desses povos tem grande importância para a manutenção da pluralidade cultural do país. Para além disso, os indígenas são parte fundamental da história de formação do território nacional e da preservação ambiental, tendo em vista que levam um modo de vida mais sustentável e em harmonia com os recursos obtidos na natureza.

O que são os povos indígenas?

Os povos indígenas são os descendentes das populações que habitavam um país ou território antes do seu processo de colonização, apresentando um forte vínculo com a terra por estarem nela há muitas gerações. Considerando o caso do Brasil, podemos dizer que os povos indígenas são aqueles que já estavam estabelecidos nas terras que abrigam o território brasileiro muito antes da chegada dos colonizadores portugueses, no século XVI. Eles foram, portanto, os primeiros povos a habitarem o país antes mesmo de o Brasil existir enquanto um Estado soberano.

Estima-se que a população indígena brasileira, quando da chegada dos europeus, variava entre 2,5 e 5 milhões de habitantes. Somente na faixa litorânea do Brasil, onde foi estabelecido o primeiro contato dos portugueses com os indígenas, estima-se que vivia mais de 1 milhão de nativos. Com o passar do tempo, no entanto, fatores relacionados à entrada dos estrangeiros no país, a introdução de doenças e os métodos de enfrentamento direto e de subjugação da população nativa levaram a uma redução gradativa dessa população.

A Organização das Nações Unidas (ONU) descreve os indígenas como os herdeiros da terra ou, ainda, os descendentes dos povos que viviam em determinada localidade. Embora a ONU não tenha adotado uma definição padrão para os povos indígenas, a organização entende que existem algumas características em comum que identificam uma população como sendo indígena. São elas:

-perpetuação da cultura dos seus ancestrais e da forma de organização social dos povos nativos;

-continuidade histórica com as comunidades pré-coloniais ou outros agrupamentos populacionais que viviam em determinada localidade;

-disposição de tradições culturais e crenças próprias, bem como uma organização social, política e territorial distinta da do restante da população;

-autodeclaração ou autoidentificação enquanto uma pessoa indígena ou um povo indígena, bem como a aceitação do indivíduo pela comunidade como um de seus membros.

O método da autodeclaração é aquele utilizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) durante a realização do Censo Demográfico e de outros levantamentos que visam retratar as características da população brasileira.

Atualmente, existem 274 línguas indígenas identificadas no Brasil, segundo o censo do IBGE de 2010.

Os estudiosos organizam esses idiomas em dois grandes troncos linguísticos: Tupi e Macro-Jê. Dizer que esses idiomas fazem parte do mesmo tronco, isto é, de uma mesma origem, não significa afirmar que são parecidos.

Para que você entenda melhor: o português e o francês fazem parte do mesmo tronco linguístico, o latim, e são bastante diferentes entre si.

Além disso, dentro dos troncos linguísticos há a classificação por famílias, como Karib, Aruak, Tukano, etc., que podem conter mais de um idioma cada. Fora as línguas dos povos indígenas isolados, que ainda não tiveram contato com as sociedades não-indígenas.

A oralidade é algo notório nas comunidades indígenas, sendo que grande parte da cultura é transmitida desta maneira. Todavia, cada vez mais os povos indígenas têm buscado a escrita como forma de registrar sua cultura. Assim, é crescente a produção de escritores de origem indígena.


*Deonisio Formentini, professor de História.

quarta-feira, 9 de abril de 2025

CAPITALISMO FINANCEIRO

 CAPITALISMO FINANCEIRO (Fases e Características)

O Capitalismo Financeiro ou Monopolista corresponde a terceira fase do sistema econômico capitalista que surge em meados do século XX, com a Terceira Revolução Industrial e está presente até os dias atuais.

Capitalismo Financeiro recebe esse nome visto que os bancos e outras instituições ligadas ao sistema financeiro, são os principais agentes desse período.

Fases do Capitalismo

O sistema econômico capitalista surge no século XV. A partir daí, o capitalismo passou por diversas transformações, sendo dividido em três fases:

-Capitalismo Comercial ou Mercantil (pré-capitalismo) – do século XV ao XVIII

-Capitalismo Industrial ou Industrialismo – séculos XVIII e XIX

-Capitalismo Financeiro ou Monopolista – a partir do século XX

Características do Capitalismo Financeiro

As principais características do capitalismo financeiro são:

-Controle da economia pelos bancos e grandes corporações;

-Surgimento de empresas globais: transnacionais ou multinacionais;

-Aumento da concorrência internacional;

-Monopólio, oligopólio e crescimento econômico;

-Especulação e expansão do mercado financeiro;

-Produtos financeiros (ações, moedas, empréstimos, financiamentos, etc.);

-Bolsa de Valores (negociação de capitais, ações e títulos financeiros);

-Ampliação do mercado internacional e mundialização da economia;

-Expansão da Globalização e do Imperialismo;

-Avanços tecnológicos (era das tecnologias da informação) e científicos;

-Revolução da comunicação e dos transportes;

-Cartel (acordo entre empresas), Truste (fusão de empresas dos mesmo ramo) e o Holding (empresa que controla as ações).

Com o avanço do crescimento industrial desde a Revolução Industrial no século XVIII, novas formas de obtenção de lucro foram sendo desenvolvidas.

Se no período capitalista anterior (Capitalismo Industrial) a essência para obtenção do lucro era a produção industrial em larga escala, no capitalismo monopolista, surgem as grandes empresas interessadas no monopólio. Lembre-se que esse termo corresponde à dominação da oferta de determinado serviço ou produto.

Assim, de produtos industriais, os interesses agora são voltados para os produtos financeiros. Nesse momento, a especulação do mercado em busca de lucro está pautada nas ações de empresas, juros, financiamentos, empréstimos, investimentos, dentre outras formas de crédito, as quais são transformadas em mercadorias.

De tal modo, as indústrias e os bancos fundem o capital que passa a ser gerido por instituições financeiras, sejam os bancos, as corretoras de valores ou as empresas multinacionais.

Esse novo panorama foi intensificado pelo processo de monopolização dessas instituições, as quais concentram cada vez mais o capital, aumentando assim a concorrência.

O que tem acontecido muito nessa fase do capitalismo monopolista é a compra de marcas por determinado grupo econômico. Isso leva ao controle da oferta de determinados produtos ou serviços por somente uma instituição (holding), por exemplo, a Ambev.

Além do holding, ocorre a fusão de grupos econômicos chamados de oligopólios, por exemplo, a união das empresas sadia e perdigão, denominado de truste, os quais controlam todas as etapas da produção, desde a exploração da matéria-prima até a distribuição das mercadorias, tendo total hegemonia no mercado.

Aliado aos holdings e trustes, os cartéis surgem para coordenar a atuação das empresas no mercado consumidor com o intuito de diminuir a concorrência, por exemplo, estabelecendo uma faixa de preço para tal mercadoria.

Para obterem lucro, essas empresas monopolistas buscam principalmente nos países subdesenvolvidos matérias-primas, mão-de-obra barata e assim, a ampliação dos mercados consumidores pelo mundo.

Embora o comércio e a indústria fazem parte do sistema capitalista, atualmente, o sistema financeiro é o que mais controla a economia, aumentando os lucros, acumulando cada vez mais o capital.


Coloque V ou F

1 (    ) Atualmente, o sistema financeiro é o que mais controla a economia, aumentando os lucros, acumulando cada vez mais o capital.

2 (    ) Com o avanço do crescimento industrial desde a Revolução Industrial no século XVIII, novas formas de obtenção de lucro foram sendo desenvolvidas.

3 (      ) O que tem acontecido muito nessa fase do capitalismo monopolista é a compra de marcas por determinado grupo econômico.



Gabarito:

1V - 2V - 3V


* Deonisio Formentini, professor de História

quinta-feira, 3 de abril de 2025

CULTURA - Ativ. III

 Atividades

Coloque V ou F:

a(  ) Quando empregamos cultura única e exclusivamente para descrever 

o conhecimento dito “enciclopédico”  de  uma  pessoa  erudita,  

estamos  entendendo  cultura  como  a  condição  de  viver  num  

contexto  cultural, em que são compartilhadas crenças, valores e 

tradições.

b(  )A cultura de um povo é sempre estática.  Nunca muda através dos 

tempos.

c(  )Podemos dizer que todas as pessoas têm cultura na medida em que 

vivem num contexto cultural, em que compartilham crenças, valores e 

tradições.

d(  ) Em uma sociedade democrática, as diferenças culturais devem 

ser respeitadas. O respeito às diferenças culturais é importante 

sendo  fundamental  que se aprenda a conviver com elas.

e(   ) O  patrimônio  cultural  de  um  povo  é  formado pelo  

conjunto  dos  saberes, fazeres,  expressões,  práticas,  que  

remetem  à  história,  à  preservação,  práticas, que  se  remetem 

à  história,  a  memória  e  a  identidade  desse  povo.


Gabarito:

a-F;

b-F;

c-V;

d-V;

e-V;

* Deonisio Formentini, professor de História.

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