ENTENDA O QUE É A INDÚSTRIA CULTURAL:
Em meados do século XX, os filósofos alemães Max Horkheimer (1895-1973) e
Theodor Adorno (193-1969) observaram e estudaram os efeitos da industrialização
e da produção em larga escala na arte e na cultura, criando o conceito de
indústria cultural.
O termo designa o fazer cultural e artístico sob a lógica da produção industrial
capitalista.
Possui como corolários o lucro acima de tudo e a idealização de produtos adaptados
para consumo das massas.
Vale destacar a influência marxista desta interpretação, a qual pressupõe a economia
enquanto "mola propulsora" da realidade social.
Na Indústria Cultural, se fabricam ilusões padronizadas e extraídas do manancial
cultural e artístico. Estas se mercantilizam sob o aspecto de produtos culturais
voltados para obter lucro.
Além disso, tem o intuito de reproduzir os interesses das classes dominantes,
legitimando-as e perpetuando-as socialmente. Assim, ao submeter os consumidores
à lógica da Indústria Cultural, a classe dominante promove a alienação nas dominadas.
Como resultado, torna os dominados incapazes de elaborarem um pensamento
crítico que impeça a reprodução ideológica do sistema capitalista. Por outro lado,
o aperfeiçoamento tecnológico da Indústria Cultural permitiu que se perpetuasse
o desejo de posse pela renovação técnico-científica. Ademais, qualquer comportamento
desviante das necessidades do consumo é combatido e tratado como anormal
pela Indústria Cultural.
A cultura popular e erudita são simplificadas e falsificadas para se transformarem
em produtos consumíveis. Isso provoca a decadência das formas mais originais e
criativas de fazer cultura e arte.
Adorno e Horkheimer, os criadores do conceito, foram grandes críticos da indústria
cultural. Segundo eles, a produção cultural em série faria dos indivíduos meras
“marionetes” do poder econômico, já que o consumo da cultura de massa não
contribui com o pensamento crítico e com a reflexão. Pelo contrário: torna o
indivíduo alienado e conformado.
A indústria cultural se consolidou pela primeira vez, no Brasil, durante a Ditadura
Civil-Militar (1964-1985). Foi nesse período que a televisão se transformou em
um veículo de massa. Houve também o desenvolvimento do cinema nacional e
da indústria fonográfica, editorial e publicitária em todo país.
O veículo que melhor ilustrou a expansão da indústria cultural no Brasil foi a
televisão. Com os investimentos tecnológicos feitos pelo Estado, o mesmo sinal
televisivo passou a integrar um sistema nacional de telecomunicação.
Em 1959, havia apenas 434 mil aparelhos de televisão no Brasil, mas esse número
cresceu vertiginosamente a partir de 1965, atingindo, em 1980, 19.602 milhões
de unidades funcionando. Difundiu-se assim, num período marcado por
governos autoritários, o hábito de ver televisão.
A indústria cultural, pelos meios de comunicação de massa, consegue interferir
e ditar tendências de moda, costumes alimentares e até a gestualidade do ser
humano. Os efeitos dessa influência, no entanto, são a homogeneização e a
padronização desses comportamentos.
Além disso, a indústria cultural, na tentativa de atingir um público amplo e
maximizar o lucro, cria produtos culturais simplificados e uniformes, muitas
vezes carecendo de singularidade e diversidade e atuando para rebaixar os
padrões de gosto. A obra de arte, que deveria provocar um efeito de conscientização
e de humanização, é consumida em série para ser descartada e consumida novamente.
Outra consequência é a criação um tanto artificial de necessidades e desejos que
mobilizam as pessoas ao mesmo tempo que as alienam. A publicidade é fundamental
para isso. Dando visibilidade aos produtos, ela faz a ponte que une os dois extremos
do mundo mercantilizado: de um lado a produção, de outro, a recepção e o consumo.
* Deonisio Formentini, professor de História
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