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O SÍTIO DO PICAPAU AMARELO

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terça-feira, 16 de janeiro de 2024

A INDÚSTRIA CULTURAL

ENTENDA O QUE É A INDÚSTRIA CULTURAL: 

Em meados do século XX, os filósofos alemães Max Horkheimer (1895-1973) e 

Theodor Adorno (193-1969)  observaram e estudaram os efeitos da industrialização 

e da produção em larga escala na arte e na cultura, criando o conceito de 

indústria cultural.

 O termo designa o fazer cultural e artístico sob a lógica da produção industrial 

capitalista.

 Possui como corolários o lucro acima de tudo e a idealização de produtos adaptados 

para consumo das massas.

 Vale destacar a influência marxista desta interpretação, a qual pressupõe a economia 

enquanto "mola propulsora" da realidade social.

 Na Indústria Cultural, se fabricam ilusões padronizadas e extraídas do manancial 

cultural e artístico. Estas se mercantilizam sob o aspecto de produtos culturais 

voltados para obter lucro.

 Além disso, tem o intuito de reproduzir os interesses das classes dominantes, 

legitimando-as e perpetuando-as socialmente. Assim, ao submeter os consumidores 

à lógica da Indústria Cultural, a classe dominante promove a alienação nas dominadas.

 Como resultado, torna os dominados incapazes de elaborarem um pensamento

 crítico que impeça a reprodução ideológica do sistema capitalista. Por outro lado, 

o aperfeiçoamento tecnológico da Indústria Cultural permitiu que se perpetuasse 

o desejo de posse pela renovação técnico-científica. Ademais, qualquer comportamento 

desviante das necessidades do consumo é combatido e tratado como anormal 

pela Indústria Cultural.

 A cultura popular e erudita são simplificadas e falsificadas para se transformarem 

em produtos consumíveis. Isso provoca a decadência das formas mais originais e 

criativas de fazer cultura e arte.

 Adorno e Horkheimer, os criadores do conceito, foram grandes críticos da indústria

 cultural. Segundo eles, a produção cultural em série faria dos indivíduos meras

 “marionetes” do poder econômico, já que o consumo da cultura de massa não 

contribui com o pensamento crítico e com a reflexão. Pelo contrário: torna o

 indivíduo alienado e conformado.

 A indústria cultural se consolidou pela primeira vez, no Brasil, durante a Ditadura 

Civil-Militar (1964-1985). Foi nesse período que a televisão se transformou em 

um veículo de massa. Houve também o desenvolvimento do cinema nacional e 

da indústria fonográfica, editorial e publicitária em todo país.

 O veículo que melhor ilustrou a expansão da indústria cultural no Brasil foi a 

televisão. Com os investimentos tecnológicos feitos pelo Estado, o mesmo sinal 

televisivo passou a integrar um sistema nacional de telecomunicação.

 Em 1959, havia apenas 434 mil aparelhos de televisão no Brasil, mas esse número 

cresceu vertiginosamente a partir de 1965, atingindo, em 1980, 19.602 milhões 

de unidades funcionando. Difundiu-se assim, num período marcado por 

governos autoritários, o hábito de ver televisão.   

 A indústria cultural, pelos meios de comunicação de massa, consegue interferir 

e ditar tendências de moda, costumes alimentares e até a gestualidade do ser 

humano. Os efeitos dessa influência, no entanto, são a homogeneização e a 

padronização desses comportamentos.

 Além disso, a indústria cultural, na tentativa de atingir um público amplo e 

maximizar o lucro, cria produtos culturais simplificados e uniformes, muitas 

vezes carecendo de singularidade e diversidade e atuando para rebaixar os 

padrões de gosto. A obra de arte, que deveria provocar um efeito de conscientização 

e de humanização, é consumida em série para ser descartada e consumida novamente.

 Outra consequência é a criação um tanto artificial de necessidades e desejos que 

mobilizam as pessoas ao mesmo tempo que as alienam. A publicidade é fundamental 

para isso. Dando visibilidade aos produtos, ela faz a ponte que une os dois extremos 

do mundo mercantilizado: de um lado a produção, de outro, a recepção e o consumo. 


* Deonisio Formentini, professor de História



 

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