Rodeio é uma prática recreativa que consiste em permanecer por até oito segundos sobre um animal, usualmente um cavalo ou boi. A avaliação é feita por dois árbitros cuja nota é de 0 a 50 cada; um árbitro avalia o competidor e o outro avalia o animal, totalizando a pontuação de 0 a 100. O rodeio divide-se em algumas modalidades, tais como "touro, cutiano, bareback, bulldoging, três tambores, sela americana, laço de bezerro e laço em dupla".
A prática é bastante comum no Brasil, nos Estados Unidos, no México, no Canadá, na Austrália e em mais alguns países da América Latina.
Origem:
Os Estados Unidos venceram a guerra contra o México no Século 19. Ao colonizarem o sul do País, adotaram alguns costumes espanhóis, como a doma e as festas populares. Antes de mais nada, a palavra rodeio vem do verbo espanhol Rodear, que significa juntar e mudar o gado de lugar.
Durante as tarefas no campo, então, os cavaleiros tinham que suportar os pulos de animais xucros e laçar novilhos para marcar e curar. Certo dia, em uma roda de amigos, alguém perguntou: quem é o melhor? E assim surgiu o primeiro rodeio, em Deer Trail, Colorado, em 1869. Em seguida, Pecos, Texas, também realizou um rodeio, em 1883. Logo depois, foi a vez de Prescott, Arizona, em 1888. A partir daí a prática se espalhou por todo o oeste americano. Até que surgiu a primeira associação em 1929: Rodeo Association of America.
No Brasil:
No Brasil, o rodeio começou em Barretos/SP, na década de 40. Nas pausas do transporte de gado, a diversão dos peões de boiadeiro era a montaria. Desse modo, a primeira prova oficial em Barretos aconteceu em 1956, somente com montarias em cavalo e peões representando as comitivas estradeiras.
Por conseguinte, a montaria em touros surgiu no final da década de 70 e desde então atrai uma legião de fãs. A realização do rodeio em terras brasileiras é amparada pela Lei Federal N° 10.519, de 17 de julho de 2002. Define condições mínimas para a prática da atividade. Desde o uso obrigatório de equipamentos adequados e padronizados até os cuidados essenciais com os animais.
A premiação, que no começo era um agrado, transformou-se em quantias milionárias por todo o mundo. Em muitos lugares, o rodeio é um conjunto de entretenimento, esporte e agrobusiness.
No Rio Grande do Sul:
O Rio Grande do Sul é rico em tradições, destacando-se entre elas os rodeios crioulos realizados em muitas cidades
Essas festas crioulas são representações das lidas de campo da gauchada. Como é o caso das gineteadas essenciais na hora da doma e o tiro de laço que é fundamental na lida com o gado campo a fora. E é bem daí que o tiro de laço como esporte tem origem.
O primeiro registro foi no ano de 1951, na cidade de Esmeralda, que fica perto de Lagoa Vermelha, mais ou menos a uns 80 km da grande Ibiaçá. Logo esse tipo de evento começou a se espalhar pelas cidades vizinhas e em poucos anos tomou conta de todo o Estado.
Na maioria dos rodeios o tiro de laço é a atividade principal, mas tem muitos que têm mais provas, tanto campeiras, quanto artísticas. Nas campeiras, a gente pode destacar as gineteadas, prova que mostra a coragem e a valentia dos ginetes que montam cavalos xucros.
Nos rodeios é possível vivenciar diferentes manifestações culturais: a dança, a chula (sapateio característico e exclusivo de peões), a declamação, a trova (criação e improviso de versos cantados), as vestimentas típicas, exposição de animais como gado campeiro e cavalos crioulos e o esporte, como competições de laço, gineteadas e rédea.
E nas atrações artísticas, temos concursos de declamação, de interpretação, música, gaita, desafios de chula, apresentação de invernadas, campeonato de truco e outras competições, ligadas à tradição gaúcha.
A data de 4 de outubro passa a ser o Dia Nacional do Rodeio, instituída pela Lei 13.922, sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro. A efeméride foi escolhida por ser mundialmente reconhecida como o dia de São Francisco de Assis, padroeiro dos animais. Por essa razão, em 4 de outubro também se comemora o Dia dos Animais.
* Deonisio Formentini, professor de História.
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