A chamada agricultura orgânica faz parte da agroecologia, porém nem toda prática de agricultura orgânica segue
todos os princípios da agroecologia.
A agricultura orgânica é também conhecida como agricultura ecológica (Espanha, Dinamarca) ou agricultura natural
(Japão). O adjetivo “orgânico” é mais usado nos países de língua inglesa, como nos Estados Unidos e Inglaterra, e no Brasil.
Os maiores produtores e consumidores dos produtos orgânicos são os Estados Unidos, a China e países da Europa. O país
que destina a maior parte das terras agrícolas para a agricultura orgânica é a Austrália, com mais de 35 milhões de hectares
dedicados a esse tipo de agricultura.
No mundo todo, a produção orgânica vem crescendo de 20% a 30% ao ano, dependendo da safra e das condições climáticas
dos países produtores.
O termo agricultura orgânica foi desenvolvido pelo inglês Sir Albert Howad, entre os anos de 1925 e 1930. No entanto,
essa modalidade da agricultura ganhou força somente na década de 1960.
A agricultura orgânica é um modelo de produção caracterizado por não utilizar fertilizantes sintéticos, agrotóxicos, sementes
modificadas, reguladores de crescimento animal e intensa mecanização das atividades, visando a reduzir os impactos
ambientais, além de cultivar produtos alimentícios mais saudáveis.
Os constantes problemas sociais e ambientais desencadeados pelo atual modelo de produção agrícola (poluição das águas
subterrâneas e superficiais, esgotamento dos solos, desemprego dos trabalhadores rurais em consequência da mecanização
do campo, etc.), além dos alimentos com grandes concentrações de agrotóxicos e o pouco esclarecimento sobre os alimentos
geneticamente modificados, têm despertado a consciência de parte da população que, em busca de um modelo agrícola que
reduza os impactos ambientais e impulsione a produção de alimentos mais saudáveis, adere à prática da agricultura orgânica.
A agricultura orgânica é um segmento agrícola que tem por objetivo a sustentabilidade econômica e ambiental. Sua prática
baseia-se no uso de estercos animais, rotação de culturas, adubação verde, controle biológico de pragas e doenças, utilização
de energias renováveis e eliminação do uso de organismos geneticamente modificados em qualquer etapa do processo produtivo.
Portanto, a agricultura orgânica busca a harmonia com o meio ambiente e a produção de alimentos saudáveis.
Na década de 70 surgiram os primeiros movimentos de agricultura alternativa que se posicionaram contrários ao projeto de
modernização da agricultura tradicional fomentada pelas políticas públicas do governo. Esse movimento ficou conhecido como
Revolução Verde.
Esses movimentos visavam proporcionar profundas mudanças no processo tradicional de trabalho agrícola, bem como no impacto
sobre o meio ambiente e à saúde humana.
A agricultura familiar surgiu no contexto brasileiro a partir da década de 90, para oferecer resposta aos assentados, arrendatários,
pequenos produtores e trabalhadores rurais que participaram dos movimentos sociais rurais.
É caracterizada pela utilização de técnicas manuais de cultivo compatíveis com a realidade local, garantindo a integridade cultural
das comunidades rurais. E por apresentar metodologia similar, esse sistema de produção familiar se interligou intimamente à
agricultura orgânica.
O desenvolvimento da agricultura orgânica no modelo familiar representa a base da economia de 90% dos municípios brasileiros,
sendo responsável pela renda de 40% da população economicamente ativa do país.
A agricultura familiar do Brasil é a 8ª maior produtora de alimentos no mundo, garantindo destaque no agronegócio mundial.
No Brasil, as atividades pertinentes ao desenvolvimento da agricultura orgânica foram aprovadas pela Lei 10.831, de 23 de
dezembro de 2003. No entanto, sua regulamentação ocorreu em 27 de dezembro de 2007 com a publicação do Decreto Nº 6.323.
Existem quatro princípios básicos da agricultura orgânica, a saber:
1 – respeito à natureza: considerando a necessidade de se preservar os solos, os recursos naturais, os animais etc.;
2 – diversificação de culturas: com a preocupação de desenvolver a diversidade de produtos cultivados, tanto para equilibrar o solo quanto
para garantir variedade;
3 – independência entre os sistemas produtivos: de modo a separar a produção agrícola dos sistemas industriais e comerciais, ao contrário
da agricultura mecanizada;
4 – o solo é um organismo vivo: o entendimento de que o solo deve ser preservado, incluindo a manutenção de seus nutrientes, micro-organismos
e seres vivos em geral.
Nesse sentido, todo o processo é realizado de maneira a não empregar qualquer produto químico que possa alterar a qualidade dos
elementos cultivados e nem a capacidade dos alimentos em fazer bem à saúde. Assim, fertilizantes e defensivos agrícolas são substituídos
por adubos orgânicos e métodos naturais de controle de pragas, entre outras formas de cultivo.
* Deonisio Formentini, professor.
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