O tripé latifúndio-monocultura-agronegócio beneficiou-se da modernização do
campo brasileiro, e tem contribuído para sua intensificação. Essa modernização
diz respeito ao desenvolvimento técnico aplicado às atividades agrícolas e
pecuárias com intenção de aumento da produtividade.
A criação de novas técnicas para a produção agropecuária acompanha
a história humana. Contudo, no fim dos anos 1940, atingiu um novo patamar,
culminando em um rápido processo modernizador do campo, denominado
Revolução Verde, em 1966. Essa revolução se difundiu por vários países do
mundo, inclusive o Brasil.
Em um contexto de preocupações com a velocidade do crescimento da população
mundial e seus possíveis impactos sobre a disponibilidade de alimentos, uma
empresa estadunidense lançou o programa que originou a Revolução Verde. Os
projetos financiados pelo grupo foram vendidos com o discurso de aumentar a
produtividade agrícola de alimentos e, assim, combater a fome no planeta.
Com a Revolução Verde, a produção agrícola passava a incorporar os
resultados de pesquisas científicas, o uso intensivo do solo e de insumos
agrícolas, etc. A criação de sementes em laboratórios, a produção e a utilização
de tratores, colheitadeiras e outras máquinas e equipamentos, e a aplicação de
produtos químicos foram algumas transformações que reestruturaram as relações
de trabalho, a produção e o modo de vida nos espaços rurais.
A aplicação de máquinas agrícolas acelerou tanto a plantação como a
colheita, possibilitando ampliação da escola de produção. Os insumos e os
agrotóxicos para as plantações visam principalmente o controle e o combate
de pragas e a correção de acidez do solo.
No Brasil, essa modernização ocorreu de forma seletiva, pois foi adotada
principalmente pelos grandes proprietários de terra. Os latifundiários foram
privilegiados com empréstimos, por parte do poder público, que possibilitaram
investimentos na aquisição de sementes e insumos. Até hoje, quanto maior a
propriedade, mais fácil é o acesso aos recursos financeiros destinados à produção.
A modernização do campo veio com a promessa de combate à fome, devido
ao aumento da produtividade de alimentos. Assim, no discurso de grandes
empresas, governos e organizações internacionais que incentivaram o processo,
estava presente a ideia de garantir a segurança alimentar.
* Deonisio Formentini, professor de História.
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