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O SÍTIO DO PICAPAU AMARELO

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domingo, 1 de junho de 2025

A REVOLUÇÃO VERDE E A MODERNIZAÇÃO NO CAMPO

O tripé latifúndio-monocultura-agronegócio beneficiou-se da modernização do 

campo brasileiro, e tem contribuído para sua intensificação. Essa modernização 

diz respeito ao desenvolvimento técnico aplicado às atividades agrícolas e 

pecuárias com intenção de aumento da produtividade.

A criação de novas técnicas para a produção agropecuária acompanha 

a história humana. Contudo, no fim dos anos 1940, atingiu um novo patamar, 

culminando em um rápido processo modernizador do campo, denominado 

Revolução Verde, em 1966. Essa revolução se difundiu por vários países do 

mundo, inclusive o Brasil.

Em um contexto de preocupações com a velocidade do crescimento da população 

mundial e seus possíveis impactos sobre a disponibilidade de alimentos, uma 

empresa estadunidense lançou o programa que originou a Revolução Verde. Os 

projetos financiados pelo grupo foram vendidos com o discurso de aumentar a 

produtividade agrícola de alimentos e, assim, combater a fome no planeta.

Com a Revolução Verde, a produção agrícola passava a incorporar os 

resultados de pesquisas científicas, o uso intensivo do solo e de insumos 

agrícolas, etc. A criação de sementes em laboratórios, a produção e a utilização 

de tratores, colheitadeiras e outras máquinas e equipamentos, e a aplicação de 

produtos químicos foram algumas transformações que reestruturaram as relações 

de trabalho, a produção e o modo de vida nos espaços rurais.

A aplicação de máquinas agrícolas acelerou tanto a plantação como a 

colheita, possibilitando ampliação da escola de produção. Os insumos e os 

agrotóxicos para as plantações visam principalmente o controle e o combate 

de pragas e a correção de acidez do solo.

No Brasil, essa modernização ocorreu de forma seletiva, pois foi adotada 

principalmente pelos grandes proprietários de terra. Os latifundiários foram 

privilegiados com empréstimos, por parte do poder público, que possibilitaram 

investimentos na aquisição de sementes e insumos. Até hoje, quanto maior a 

propriedade, mais fácil é o acesso aos recursos financeiros destinados à produção.

A modernização do campo veio com a promessa de combate à fome, devido 

ao aumento da produtividade de alimentos. Assim, no discurso de grandes 

empresas, governos e organizações internacionais que incentivaram o processo, 

estava presente a ideia de garantir a segurança alimentar.

* Deonisio Formentini, professor de História.

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