ESCRAVIDÃO NO MUNDO: DA ANTIGUIDADE
AOS NOSSO DIAS
Relação de trabalho que existe desde os períodos mais remotos, a escravidão assumiu
formas e objetivos diferentes ao longo do tempo em diferentes regiões do mundo.
Na Antiguidade, os laços de parentesco eram muito valorizados e determinavam a
posição social e os ofícios de família das pessoas. Nessas sociedades tinha uma
nobreza, que se dizia nascida na terra, que não executava trabalhos manuais e que
dispunha de muitos trabalhadores livres e escravos para a execução de trabalhos
braçais. Geralmente, os trabalhadores livres eram descendentes dos povos dominados
pacificamente em um determinado território, enquanto os escravos eram estrangeiros
capturados em guerra. O trabalho escravo foi uma prática estabelecida, com algumas
diferenças, na Babilônia, na Assíria, no Egito, na Grécia e no Império Romano, entre
os outros povos que habitaram na antiguidade.
Na época da expansão marítima, no século XV, os europeus conheceram a escravidão
praticada nos territórios árabes e no continente africano. Os europeus, a partir dessa
modalidade escravista, desenvolveram um comércio sem precedentes. Apoiaram-se na
ideia de que a América, a África e mesmo algumas regiões da Ásia eram um deserto
cultural e religioso, que deveriam ser “civilizadas” pelos europeus.
Na América espanhola e portuguesa, a escravidão indígena foi largamente utilizada,
dizimando, em muitos lugares, a sua população. Já a escravidão africana foi responsável
pelo tráfico de mais de 11 milhões de pessoas para o continente americano, sendo uma
grande parte desses africanos, foram trazidos para o Brasil. Inicialmente, os escravizados
foram explorados nas lavouras e na mineração. com o crescimento das cidades coloniais,
os ofícios ganharam novos contornos especializados e, com isso, foram desenvolvendo
os mais diversos tipos de trabalho.
Com a Revolução Industrial, a partir do século XVIII, as relações de trabalho sofreram
grandes transformações e originaram uma nova categoria de trabalhadores: os assalariados.
Sem possuírem terras, fábricas, máquinas ou outros instrumentos, vendiam sua força de
trabalho e seu tempo em troca de um salário.
Após as lutas operárias dos séculos XIX e XX, a remuneração digna e justa é a única
relação de trabalho aceita pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) e qualquer
situação que fuja a esses parâmetros é considerada ilegal.
Uma das formas de exploração criminosa do trabalho é aquela análoga à escravidão. Ela
é caracterizada pela exploração degradante de pessoas em condição de vulnerabilidade
social e seu objetivo imediato é a maximização dos lucros de quem a explora.
No Brasil muitos trabalhadores foram resgatados de trabalho análogo a escravidão nos
últimos anos. Geralmente são homens, com idade entre 18 a 44 anos, vindos principalmente
dos estados do Maranhão, Bahia, Pará, entre outros, para trabalharem geralmente em
trabalhos agrícolas ou domésticos.
* Deonisio Formentini, professor de História.
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