Origem e história do G20
O final da década de 1990 foi marcado por uma sucessão de crises econômicas em diferentes partes do mundo, como no Sudeste da Ásia, no México e na Rússia. Esse período gerou enorme instabilidade no cenário econômico e político internacional, demandando a tomada de ação rápida para a retomada do equilíbrio.
Nesse contexto, o G20 foi criado em 1999 como um fórum de diálogo para os ministros das Finanças e os chefes dos Bancos Centrais das principais economias do mundo. O grupo foi chamado de G20 Financeiro, e tinha como pauta principal os problemas econômicos em escala internacional.
Pouco tempo mais tarde, entre 2007 e 2008, uma crise econômica de grandes proporções se instalou no mundo e teve consequências alarmantes para os países desenvolvidos e emergentes. Frente a esse novo desafio, o G20 mudou a sua estrutura em 2008 e passou a realizar reuniões com os chefes de Estado e chefes do Poder Executivo de seus respectivos participantes, tornando-se o G20 dos líderes. Por conta da reformulação, o grupo passou a ser conhecido como o principal fórum multilateral de cooperação econômica do mundo.
Atualmente os países do G20 respondem por 85% do PIB mundial e 75% do comércio internacional, conforme dados apresentados no site do grupo. Além disso, mais de dois terços da população mundial vivem nos territórios que integram o grupo.
O G20 (Grupo dos 20) é um fórum de cooperação econômica internacional criado em 1999 é formado por 19 países, entre nações desenvolvidas e emergentes, e também pela União Europeia. Tendo surgido como resposta às crises econômicas da década de 1990, o G20 tem como objetivo o fortalecimento da economia internacional e a discussão de temas fundamentais para o desenvolvimento socioeconômico global, como comércio internacional, agricultura, fontes de energia e meio ambiente. As reuniões do G20 são chamadas de cúpulas e têm frequência anual.
O Brasil é um dos membros do grupo, e assumirá a presidência do G20 pela primeira vez entre 1º de dezembro de 2023 e 30 de novembro de 2024. Nesse período, ficará responsável por organizar a 19ª Cúpula do G20, que deve acontecer na cidade do Rio de Janeiro (RJ) em 2024.
Quais são os objetivos do G20?
O G20 foi criado com os objetivos de reestabelecer o equilíbrio e de fortalecer a economia mundial, sendo assim um espaço de diálogo para o desenvolvimento de estratégias de cooperação e de políticas macroeconômicas capazes de beneficiarem não somente seus membros mas o sistema econômico internacional como um todo.
Essa é a razão pela qual o fórum é integrado pelas maiores economias nacionais do mundo, e abrange tanto nações desenvolvidas quanto as nações em desenvolvimento (ou emergentes), como é o caso dos países dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).
A macroeconomia não é, hoje, o único foco das discussões realizadas nas reuniões do G20. Conforme destacado pelo próprio fórum, os objetivos do G20 se expandiram muito ao longo dos anos e passaram a compreender outras pautas igualmente importantes para o desenvolvimento socioeconômico tanto dos países participantes quanto das demais nações do mundo. São estas pautas:
-comércio internacional;
-políticas anticorrupção;
-saúde e educação;
-agropecuária;
-fontes de energia;
-meio ambiente;
-sustentabilidade;
-mudanças climáticas.
Qual é o líder do G20?
A liderança (ou presidência) do G20 não é fixa, mas sim rotativa. A cada ano um dos membros do grupo é escolhido para assumir esse posto, ficando assim responsável por organizar e sediar a cúpula anual do G20, o que inclui a determinação da temática e dos assuntos a serem abordados pelos membros e pelos países e organismos internacionais convidados.
A escolha do líder do G20 acontece com a divisão dos seus países participantes em grupos regionais. Os membros do grupo devem chegar a um consenso na nomeação do líder do G20 quando é a sua vez de assumir a liderança do fórum.
Em 2022, a Indonésia, integrante do grupo de países do Leste Asiático, foi eleita como líder do G20. No ano seguinte, a Índia, que integra um grupo diferente de países, assumiu a liderança. Por isso, a cúpula do G20 de 2023 foi realizada na cidade de Nova Déli, capital indiana. Em 2024 será a vez do Brasil sediar uma reunião do G20. A liderança do grupo foi passada ao presidente brasileiro durante a cúpula da Índia.
Quando falamos em líderes do G20, podemos nos referir também aos representantes de cada um dos membros do fórum. A partir de 2009, as reuniões do G20 passaram a ser frequentadas pelos chefes de Estado e governantes de cada um dos seus integrantes. Assim sendo, os líderes do G20 são os presidentes das nações que pertencem ao grupo mais o representante do Poder Executivo da União Europeia, o ocupante do cargo de presidente da Comissão Europeia.
Brasil no G20
O Brasil é um dos países emergentes que integram o G20. Durante a cúpula realizada na Índia no ano de 2023, o Brasil assumiu pela primeira vez a presidência desse fórum de cooperação internacional. Em função disso, o país sediará a 19ª Cúpula do G20, que será realizada nos dias 18 e 19 de novembro de 2024. A cidade escolhida para tal evento é o Rio de Janeiro (RJ).
A participação do país no G20 é muito importante para a posição geopolítica do Brasil no mundo, em especial agora que a economia brasileira tem se destacado como a quinta economia com maior taxa de crescimento entre os países que integram o grupo. Assim sendo, e estando em um novo momento político no que diz respeito às relações diplomáticas e internacionais, o país chegou fortalecido para a cúpula de Nova Déli, na Índia.
Outro ponto fundamental do Brasil no G20 está associado com o papel do país frente às nações emergentes, sendo um porta-voz das principais demandas desses agentes no âmbito das políticas econômicas, comerciais, sociais e, principalmente, ambientais.
Recentemente a pauta ambiental, com foco na preservação da Floresta Amazônica e no aquecimento global, tem sido muito debatida pelos representantes do governo brasileiro nas reuniões internacionais de que participaram. Sendo a cúpula do G20 uma grande oportunidade para o debate bilateral e multilateral com líderes mundiais e organismos internacionais, a posição do Brasil em defesa do meio ambiente se mantém. Além disso, espera-se a cobrança do país com relação à tomada de decisão das nações desenvolvidas frente ao agravamento das mudanças climáticas.
Quais países fazem parte do G20?
África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia e Turquia, além da União Africana e da União Europeia. Ademais, países e organizações internacionais convidadas pelo anfitrião também participam do G20
G20 no Brasil
As reuniões do G20 no Brasil começaram em dezembro de 2023 e se estenderão até novembro de 2024, mês no qual o país assume a presidência do grupo. A cúpula principal está programada para acontecer nos dias 18 e 19 de novembro de 2024, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, marcando a primeira vez que o Brasil sedia uma cúpula do G20. Sob o tema “Construindo um Mundo Justo e um Planeta Sustentável”, o governo brasileiro, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, definiu como prioridades o combate à fome, à pobreza e à desigualdade, além das três dimensões do desenvolvimento sustentável: econômico, social e ambiental, e a reforma da governança global.
Para promover esses objetivos, a presidência brasileira anunciou a criação do grupo de trabalho Mobilização Global Contra as Mudanças Climáticas, com o intuito de criar mecanismos que gerem renda e reduzam as desigualdades para as populações afetadas pelas mudanças climáticas. Além disso, o Brasil buscará uma reforma abrangente das principais instituições globais, incluindo o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e a Organização Mundial do Comércio, bem como a ampliação do Conselho de Segurança das Nações Unidas, visando fortalecer a representatividade e a influência do Sul Global nas decisões internacionais.
Inovando no formato, o Brasil lançou o G20 Social, um espaço que pela primeira vez permitirá a participação ativa da sociedade civil no debate, possibilitando que organizações e indivíduos contribuam diretamente para as discussões e formulações de políticas da cúpula.
*Deonisio Formentini, professor de História
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