A EDUCAÇÃO MEDIEVAL
Como na Idade Média havia um monopólio da cultura e do
pensamento por parte da Igreja Católica, a educação teve grande
influência religiosa. Eram os integrantes da Igreja que
estabeleciam o que deveria ser estudado, os conteúdos e os
objetivos da educação. As escolas eram, portanto, associadas
às instituições religiosas católicas. Embora controlada pela Igreja,
a educação não ficou apenas no campo religioso, abrindo também
espaço para o estudo das ciências, técnicas e habilidades.
Principais características e objetivos da educação medieval:
• Transmissão de técnicas adquiridas, para formação profissional.
• Ênfase na formação religiosa católica. As escolas monásticas eram o
centro de aprendizagem no início da Idade Média, e o currículo era
frequentemente centrado em textos religiosos, incluindo o estudo da Bíblia
e escritos de estudiosos religiosos.
• Desenvolvimento da leitura e escrita do latim (língua mais falada na
Europa Medieval). A maioria dos textos, incluindo obras religiosas e
filosóficas, foi escrita em latim. O uso de línguas vernáculas na educação
começou a aumentar no final da Idade Média.
• Desenvolvimento de habilidades como falar, refletir, pensar, debater e concluir.
Currículo básico da educação na Idade Média:
- Gramática (regras da língua falada e escrita).
- Dialética (processo ou arte do diálogo e debates).
- Retórica (arte para elaborar e utilizar bons argumentos).
- Geometria (campo da Matemática que estuda as formas geométricas e o espaço
que elas ocupam).
- Aritmética (ramo da matemática que estuda os números).
- Lógica (forma de pensamento racional e científico para se chegar à verdade
ou resultado correto).
- Música.
- Astronomia (estudo dos astros e do espaço sideral).
- Latim (língua mais falada e escrita na Idade Média).
Tipos de Escolas Medievais
• Escolas Paróquias: voltadas, principalmente, para a formação de padres. Ensinava-se,
basicamente, temas religiosos, já que o objetivo principal era a formação sacerdotal.
• Escolas Monásticas: eram voltadas, principalmente, para a formação de
monges. Funcionavam em sistema de internato. Latim, canto gregoriano, textos
sagrados (entre eles a Bíblia) e Filosofia eram os principais temas estudados
nestas escolas. Valorização do trabalho e disciplina também eram importantes
nestas escolas.
• Escolas Palatinas: tinham como objetivo a formação mais ampla do indivíduo.
Estudavam nestas escolas, principalmente, os filhos de nobres. Exigiam muita
dedicação e empenho dos estudantes, pois tinham um currículo vasto. As
principais disciplinas estudadas eram: Gramática, Aritmética, Geometria,
Astronomia, Dialética, Retórica, Filosofia e Música.
• Universidades Medievais: surgiram na Europa no século XII. As primeiras
foram fundadas na França, Inglaterra e Itália. Eram comunidades formadas
por mestres e estudantes (universitas) voltadas para o ensino, pesquisa, produção
de conhecimentos, reflexão e debate. Serviram de modelo para as
Universidades que temos até hoje. Em função dos temas polêmicos que levantam
e discutiam de forma aberta, sofreram muita intervenção de reis, ordens religiosas
e até mesmo do papa. Após uma formação básica (Gramática, Retórica,
Aritmética, Geometria, Filosofia, Lógica e Astronomia), os estudantes podiam
prosseguir seus estudos em áreas específicas. Os primeiros cursos universitários
na Idade Média foram de Medicina, Teologia e Direito.
Os mosteiros e catedrais eram os principais centros de ensino na Idade
Média. Neles, os monges e clérigos eram responsáveis por transmitir
conhecimentos nas áreas da teologia, filosofia, retórica e música. Além
disso, essas instituições também abrigavam bibliotecas, onde os estudantes
tinham acesso a manuscritos e livros raros, considerados verdadeiros
tesouros intelectuais da época.
Os livros eram considerados verdadeiros tesouros na educação medieval.
No entanto, eles eram extremamente raros e valiosos, já que eram produzidos
de forma artesanal e demandavam um grande investimento de tempo e
recursos. Os estudantes tinham acesso a bibliotecas, onde podiam consultar
manuscritos e livros, mas a posse de um livro era privilégio de poucos. A
transcrição e a cópia de textos eram atividades comuns nas instituições
de ensino, garantindo a preservação do conhecimento.
Quem eram os estudantes na Idade Média?
Grande parte dos estudantes da Idade Média vinha da nobreza, pois esta
camada social possuía recursos financeiros para manter os filhos nas
escolas. Os nobres decidiam quais filhos iriam para a área militar (formação
de cavaleiros), para a formação técnica (escolas formais) ou formação
religiosa (escolas monásticas).
Já os camponeses e seus filhos, sem recursos financeiros e presos às obrigações
servis, não tinham acesso à educação escolar, ficando sem saber ler e escrever
por toda vida.
Nos séculos XIV e XV (final da Idade Média), com o surgimento da burguesia,
as escolas e universidades passaram a ter muitos estudantes oriundos desta
nova camada social. Os filhos dos burgueses iam para escolas e universidades
que davam formação mais ampla ou de caráter técnico. Os burgueses buscavam
formar seus filhos em áreas como Medicina, Artes, Direito, Filosofia e
Arquitetura. Claro que muitos burgueses também direcionavam os estudos
dos filhos para que estes continuassem o negócio da família nas áreas de
comércio ou finanças.
A educação no período medieval foi marcada por uma série de características
peculiares, como a influência da Igreja, a valorização da memorização e a
restrição do acesso à educação. Embora restrita a uma elite privilegiada, a
educação medieval desempenhou um papel fundamental na formação intelectual
e religiosa da época. Através dos mosteiros e catedrais, o conhecimento foi
preservado e transmitido, garantindo a continuidade da cultura e da tradição. O
estudo da educação medieval nos permite compreender as bases do sistema
educacional atual e refletir sobre as transformações ocorridas ao longo dos séculos.
* Deonisio Formentini, professor de História.
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