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domingo, 18 de janeiro de 2026

O SURGIMENTO DO FOGO

O FOGO...

 O fogo é a evidência de uma reação de combustão entre combustível, comburente e fonte de ignição.

A chama é a parte visível da reação química, em um sistema que se mantém com liberação de luz e calor.

O fogo foi a primeira energia produzida e controlada pelo homem. Através dessa descoberta, foi possível a habitação em regiões mais frias, o desenvolvimento da culinária e mudanças de hábitos, rumo à criação da civilização.

A história do fogo

Faz parte do Paleolítico, período compreendido entre de 4,4 milhões de anos até 8000 a.C., o domínio do fogo pelo homem. A partir do momento que o homem conseguiu utilizar a descoberta a seu favor, o fogo tornou-se um alicerce para as civilizações.

Vale lembrar que antes disso, o homem já tinha observado o fogo em decorrência de fenômenos naturais, como raios, que provocam incêndios, e erupções de vulcões.

O homo erectus foi o primeiro ancestral do ser humano a dominar o fogo, utilizando pedras e madeira. Através do atrito entre duas pedras, a faísca liberada servia como fonte de ignição para iniciar a chama.

Com o surgimento do fogo, os povos aprenderam a utilizá-lo para se aquecer, cozinhar alimentos, espantar animais ferozes e iluminar ambientes durante a noite. Como consequência também, a fabricação de ferramentas de ferro foi possível com o desenvolvimento da metalurgia, técnica descoberta com a moldagem do metal no fogo.

Para os gregos, existia o mito de que o fogo foi roubado dos deuses por Prometeu e entregue aos homens. O filósofo grego Empédocles utilizou o fogo para tentar explicar a composição da matéria, juntamente com o ar, a água e a terra. Para Aristóteles, o fogo poderia ser distinguido dos demais elementos pelas suas propriedades, quente e seco.

Fogo e as pinturas rupestres

Não existem representações de fogo em pinturas rupestres descobertas que se tenha notícia. A grande maioria das pinturas representam animais altos e largos como bisontes, cavalos, auroques e cervos, e acredita-se que eram feitas sob uma ótica espiritual, numa tentativa de caçadores de “sumonar” a caça e se conectar com ela através de magia. Outros temas incluem traços de mãos humanas e padrões abstratos de pintura, mas nada de fogo. Isso não quer dizer, no entanto, que a relação dos primeiros humanos e seus ancestrais com o fogo não tenha tido influência na criação das pinturas rupestres.

Um dos principais pigmentos utilizados para a criação de pinturas nas paredes cavernosas eram resquícios de carvão parcialmente queimado utilizado nas fogueiras, conhecido como negro de fumo, e também restos de ossos queimados, material conhecido como negro animal. Não é preciso ressaltar, portanto, que a interação com o fogo pelos primeiros humanos foi fundamental para viabilizar grande parte das pinturas rupestres hoje conhecidas pelo mundo.

A hipótese é de que, sob luzes trêmulas e fracas de uma chama, a ilusão de ótica mostraria que o cervo pintado está em movimento. Quando a famosa caverna de Lascaux, na França, foi descoberta em 1940, mais de 100 pequenas lamparinas de pedra antigas, que costumavam queimar a gordura dos restos de caça de animais, foram encontradas.

O Fósforo

Até ao início do século XIX, sempre que havia a necessidade de acender um fogo, era preciso ateá-lo friccionando duas pedras ou transportando-o de um outro local onde já estivesse em combustão. Um alemão chamado Henning Brandt, que descobriu acidentalmente, em 1669, o elemento químico batizado de fósforo (do grego phos, luz, mais phoros, transportador).  A descoberta chegou ao conhecimento do físico inglês Robert Boyle (1627-1691), que criou, 11 anos mais tarde, uma folha de papel áspero com a presença de fósforo, acompanhada de uma varinha com enxofre. 

Quase vinte anos depois, o sueco John Edvard Lundström decidiu separar os ingredientes inflamáveis do palito de fósforo, deixando uma parte na cabeça do palito e a outra na caixa. Isso evitou que o fogo surgisse de repente! 

Foi apenas um século depois, em 1826, que os palitos de fósforo, então com 8 centímetros de comprimento, começaram a se popularizar.  Era o surgimento dos fósforos de segurança, que deram origem aos modelos que usamos hoje. A partir de 7 de abril de 1827 começaram a ser comercializados os palitos de fósforos.

Foi nos Estados Unidos que Alonzo D. Phillips de Springfield obteve, em 1836, uma patente para "fabricar fósforos de fricção" e os chamou "locofocos". Mas o perigo ainda era grande e só foi resolvido após a descoberta do fósforo vermelho, em 1845.

No Brasil, o comerciante curitibano Olivo Carnascialli fundou, em 1913, a Cia. Fabril Paranaense com a finalidade de explorar a indústria do palito de fósforo, sendo desta forma um dos precursores dessa indústria no país. Mais de 500 bilhões de fósforos são usados a cada ano. Atualmente os palitos de fósforo não possuem fósforo, possuindo apenas enxofre, oxidantes e cola. O fósforo está contido na parte de fora da caixa, junto com trissulfeto de antimônio II e dextrina, deixando o palito mais seguro e fazendo o acender apenas na presença da caixa.

O fósforo, apesar de continuar a ser utilizado em grande escala em todo mundo, perdeu alguma da sua popularidade desde que surgiu o isqueiro.



Coloque V ou F

1 (     ) No período denominado como neolítico dá-se a descoberta e o controle do fogo, uma das maiores conquistas desse período, que permitiu aos seres humanos a fundição dos metais.

2 (    ) Uma das mais importantes descobertas foi o fogo. Com esse poderoso instrumento, os homens pré-históricos alcançaram melhores condições de sobrevivência mediante as severas condições climáticas.

3 (       ) A descoberta do fogo é considerada um dos principais avanços da humanidade, os homens paleolíticos passaram a assar a carne e a cozinhar vegetais, se reuniam, descansavam e se protegiam do frio e dos ataques de animais ferozes.

4 (        ) Até ao início do século XIX, sempre que havia a necessidade de acender um fogo, era preciso ateá-lo friccionando duas pedras.

5 (         ) No Brasil, o comerciante curitibano Olivo Carnascialli fundou, em 1913, a Cia. Fabril Paranaense com a finalidade de explorar a indústria do palito de fósforo.



Gabarito:

1F  - 2V - 3V - 4V - 5V 


* Deonisio Formentini, professor de História.

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