AS MULHERES NO BRASIL COLONIAL
Durante o período colonial no Brasil, as mulheres desempenharam papéis sociais
diversificados e tinham modos de vida bastante diferentes, dependendo de sua condição
social.
O colonizador europeu trouxe para o Novo Mundo uma maneira particular de
organizar a família. Esse modelo, constituído por pai e mãe “casados perante a Igreja”,
correspondia aos ideais defendidos pela Igreja Católica, no Concílio de Trento, em 1545.
A Igreja Católica procurava assim universalizar suas normas para o casamento
e a família. A mulher, nesse projeto, era fundamental.
Pobre ou rica, a mulher possuía, porém um papel: fazer o trabalho de base para
todo o edifício familiar - educar os filhos segundo os preceitos cristãos, ensinar-lhes
as primeiras letras e atividades, cuidar do sustento e da saúde física e espiritual deles,
obedecer e ajudar o marido.
A soma dessa tradição portuguesa com a colonização agrária e escravista
resultou no chamado patriarcalismo brasileiro. Tratava-se de uma grande família
reunida em torno de um chefe, pai e senhor forte e temido, que impunha sua lei e
ordem nos domínios que lhe pertenciam. Sob essa lei, a mulher tinha de ser curvar.
O modelo da família patriarcal no Brasil gerou, assim, uma forma específica
de organização social, que teve grande implicação em nossa organização
política. Trata-se do “patronato político”. Você já deve ter ouvido falar nas
aulas sobre República Velha da prática do “apadrinhamento” e do “clientelismo”
por parte dos chamados “coronéis” — líderes políticos locais. Pois bem, essas
práticas que consistem em “estender os domínios privados”, o âmbito familiar,
para a esfera pública, para os domínios da atividade política, têm suas raízes no
patriarcalismo.
A sociedade patriarcal funciona a partir do estabelecimento de uma divisão
sexual em que cabe aos homens a origem e o destino de todas as decisões. Para
tanto é preciso haver subordinação e controle dos corpos das mulheres. É
necessária uma apropriação masculina das funções sexuais e reprodutivas das
mulheres. Esse tipo de sociedade existiu bem antes do advento do capitalismo,
embora o capitalismo tenha se valido do patriarcado para a reprodução do controle
da propriedade privada e da exploração econômica.
O dia a dia das famílias senhoriais transcorreu em meio a grande número de
pessoas. As mulheres pouco saíam de casa, empregando o tempo em bordados e costuras,
ou no preparo de doces.
Entre a maior parte da população, a mulher raramente possuía dote ou condições
para se casar. A luta pelo sustento era sua tarefa principal. Mestiças, mulatas e negras
sofriam privações, careciam de educação e tinham a mobilidade controlada. Não podiam
ir de um lado para outro quando quisessem, embora muitas fossem beneficiadas nos
testamentos de seus senhores com liberdade e bens materiais.
Tanto no Brasil colonial quanto na sociedade portuguesa, o pátrio poder
que emanava do matrimônio, irá exercer influência nas relações de gênero e nas
questões de autoridade da família. As relações familiares submetidas à
influência do modelo patriarcal irão perdurar até hoje, sendo a sua
dominância mais marcante até o século XIX.
Responda:
1-Durante a colonização do Brasil, desenvolveu-se um modelo de família patriarcal. Comente.
2-Em que consistia a prática do dote?
3- Como seria uma família tradicional durante o período colonial brasileiro:
Gabarito:
1- O modelo de família patriarcal surgiu no contexto da colonização do Brasil, em que os homens
assumiram a liderança de todo o grupo familiar.
2- Quando tinha condições econômicas, a família da noiva oferecia ao noivo um bem (ou dote) pelo casamento.
3- Tratava-se de uma grande família reunida em torno de um chefe, pai e senhor forte e temido, que
impunha sua lei e ordem nos domínios que lhe pertenciam.
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