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quarta-feira, 10 de setembro de 2025

AS MULHERES NO PERÍODO DO BRASIL COLONIAL

AS MULHERES NO BRASIL COLONIAL

Durante o período colonial no Brasil, as mulheres desempenharam papéis sociais 

diversificados e tinham modos de vida bastante diferentes, dependendo de sua condição 

social. 

O colonizador europeu trouxe para o Novo Mundo uma maneira particular de 

organizar a família. Esse modelo, constituído por pai e mãe “casados perante a Igreja”, 

correspondia aos ideais defendidos pela Igreja Católica, no Concílio de Trento, em 1545.

A Igreja Católica procurava assim universalizar suas normas para o casamento 

e a família. A mulher, nesse projeto, era fundamental.

Pobre ou rica, a mulher possuía, porém um papel: fazer o trabalho de base para 

todo o edifício familiar - educar os filhos segundo os preceitos cristãos, ensinar-lhes 

as primeiras letras e atividades, cuidar do sustento e da saúde física e espiritual deles, 

obedecer e ajudar o marido.

A soma dessa tradição portuguesa com a colonização agrária e escravista 

resultou no chamado patriarcalismo brasileiro. Tratava-se de uma grande família 

reunida em torno de um chefe, pai e senhor forte e temido, que impunha sua lei e 

ordem nos domínios que lhe pertenciam. Sob essa lei, a mulher tinha de ser curvar.

O modelo da família patriarcal no Brasil gerou, assim, uma forma específica 

de organização social, que teve grande implicação em nossa organização

 política. Trata-se do “patronato político”. Você já deve ter ouvido falar nas 

aulas sobre República Velha da prática do “apadrinhamento” e do “clientelismo” 

por parte dos chamados “coronéis” — líderes políticos locais. Pois bem, essas

 práticas que consistem em “estender os domínios privados”, o âmbito familiar, 

para a esfera pública, para os domínios da atividade política, têm suas raízes no 

patriarcalismo.

A sociedade patriarcal funciona a partir do estabelecimento de uma divisão 

sexual em que cabe aos homens a origem e o destino de todas as decisões. Para

 tanto é preciso haver subordinação e controle dos corpos das mulheres. É 

necessária uma apropriação masculina das funções sexuais e reprodutivas das

 mulheres. Esse tipo de sociedade existiu bem antes do advento do capitalismo, 

embora o capitalismo tenha se valido do patriarcado para a reprodução do controle 

da propriedade privada e da exploração econômica.

O dia a dia das famílias senhoriais transcorreu em meio a grande número de 

pessoas. As mulheres pouco saíam de casa, empregando o tempo em bordados e costuras, 

ou no preparo de doces.

Entre a maior parte da população, a mulher raramente possuía dote ou condições 

para se casar. A luta pelo sustento era sua tarefa principal. Mestiças, mulatas e negras 

sofriam privações, careciam de educação e tinham a mobilidade controlada. Não podiam

 ir de um lado para outro quando quisessem, embora muitas fossem beneficiadas nos 

testamentos de seus senhores com liberdade e bens materiais.

Tanto  no  Brasil  colonial  quanto  na  sociedade  portuguesa,  o  pátrio poder 

que emanava do matrimônio, irá exercer influência nas relações de gênero e nas  

questões  de  autoridade  da  família.  As  relações  familiares  submetidas  à 

influência  do  modelo  patriarcal  irão  perdurar  até  hoje,  sendo  a  sua  

dominância mais marcante até o século XIX.


Responda:

1-Durante a colonização do Brasil, desenvolveu-se um modelo de família patriarcal. Comente.



2-Em que consistia a prática do dote?




3- Como seria uma família tradicional durante o período colonial brasileiro:




Gabarito:

1- O modelo de família patriarcal surgiu no contexto da colonização do Brasil, em que os homens 

assumiram a liderança de todo o grupo familiar.

2- Quando tinha condições econômicas, a família da noiva oferecia ao noivo um bem (ou dote) pelo casamento.

3- Tratava-se de uma grande família reunida em torno de um chefe, pai e senhor forte e temido, que 

impunha sua lei e ordem nos domínios que lhe pertenciam.


*Deonisio Formentini, professor de História.

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