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terça-feira, 23 de julho de 2024

OLIMPÍADAS - História

 HISTÓRIA DOS JOGOS OLÍMPICOS

Comparar as Olimpíadas do século XXI aos Jogos da Grécia Antiga pode parecer um exagero, principalmente quando o assunto é organização, profissionalismo e tecnologia. Mas se falarmos da essência olímpica, que é a prática de esportes, essa permanece a mesma. 

A criação do evento olímpico, no entanto, data da Era Antiga, de aproximadamente 2500 a.C., quando os gregos realizavam festivais esportivos em honra a Zeus. Apenas no distante ano de 776 a.C. os nomes dos vencedores começaram a ser registrados. Naquele ano, Ifitos (rei de Ilia) fez uma aliança com Licurgo (rei de Esparta) e Clístenes (rei da Pissa) no templo de Hera, no santuário de Olímpia - o que originou o termo olimpíada. 

Por meio desse tratado, foi travada uma "trégua sagrada" em toda a Grécia enquanto as Olimpíadas eram realizadas. O prêmio pela vitória seria uma folha de palmeira e uma coroa de ramos de uma oliveira existente próxima ao altar de Zeus. A vitória nos Jogos Olímpicos consagrava o atleta e proporcionava a ele uma recepção de herói no retorno à sua cidade de origem. 

Após a primeira Olimpíada, ficou acertado que os Jogos seriam realizados a cada quatro anos, durante os meses de julho ou agosto. Aos poucos, o número de competições foi aumentando, até chegar a dez eventos no quinto século antes de Cristo: corrida, pentatlo, arremesso de disco, salto em distância, lançamento de dardo, luta, boxe, pancrácio, corrida de bigas e corrida de cavalos, tudo isso disputado em cinco dias. 

Podiam competir todos os gregos que fossem cidadãos livres e, que nunca houvessem cometido assassinatos ou outros crimes. A participação feminina estava restrita às corridas de cavalos, sendo que somente as donas dos cavalos poderiam participar. 

Com exceção das sacerdotisas de Dêmetra, apenas os homens podiam assistir às disputas. Enquanto aconteciam os Jogos Olímpicos, as mulheres, usando cabelos soltos e túnicas curtas, participavam de uma outra competição, a Heraea. 

A decadência dos Jogos Olímpicos da Era Antiga começou em 456 a.C., quando os romanos invadiram e dominaram a Grécia. O espírito original de integração foi aos poucos sendo deixado de lado e as disputas, antes cordiais, passaram a ser encaradas como combates. 

A última Olimpíada da Era Antiga foi disputada em 393 d.C., quando o imperador Teodósio I proibiu a adoração aos deuses e cancelou os Jogos. Desde 776 a.C. foram realizados 293 Jogos Olímpicos na Antiguidade. 

Ressurgimento

Durante mais de 1.500 anos os Jogos Olímpicos foram somente histórias. Em fim do século XIX, entretanto, um eminente educador e filantropo francês, o Barão Pierre de Coubertin (1863-1937),empenhou-se em fazê-los ressurgir, convencido de que as glórias da Grécia, na sua idade de Ouro, eram devidas, em grande parte, ao impulso que se dera à cultura física e à celebração de festivais esportivos. Sustentando, com um trabalho admirável junto a vários países, a ideia de que só benefícios podiam advir da realização periódica de competições internacionais, em que se oferecessem aos atletas amadores de todas as nacionalidades iguais oportunidades de triunfo, o Barão de Coubertin conseguiu, em um congresso na Sorbonne de Paris, em 1894, lançar as bases dos Jogos Olímpicos da Era Moderna. Dois anos depois, em 1896, os Jogos recomeçavam em Atenas, num magnífico estádio. Desde então, as Olimpíadas têm se repetido de 4 em 4 anos, exceto as correspondentes aos anos de 1916, 1940 e 1944, quando o mundo estava em guerra.

Todos os participantes das Olimpíadas são obrigados a alojar-se num conjunto especial de residência, denominado Vila Olímpica. Esse costume é um incentivo à própria essência dos Jogos, que é a da aproximação dos povos por intermédio dos seus esportistas. Homens e mulheres de todo os continentes vivem, durante alguns dias, o mesmo ambiente de amizade, acima das rivalidades e dos preconceitos. Aos ganhadores até o 3° lugar são conferidas medalhas, respectivamente, de ouro, prata e bronze.

Cinco argolas entrelaçadas representam o símbolo olímpico. Foram idealizadas também pelo Barão de Coubertin em 1914, mas só apareceram nos Jogos de 1920. Essas argolas estão inscritas numa bandeira de fundo branco, liso, e suas cores representam os continentes: cinza, Europa; amarelo, Ásia; preto, África; verde, Austrália e vermelho, América.

O C.O.I. designava a sede dos Jogos Olímpicos seis anos antes de cada realização, sendo livre as inscrições. O país que promove a competição compõe o hino Olímpico daquele ano, que é tocado nas principais cerimônias. Durante a entrega das medalhas aos vencedores é executado o hino do país a que pertence o campeão. Tradição dos Jogos Olímpicos é ainda o transporte da chama olímpica, que, desde 1936, após ser acesa em Olímpia (Grécia), é conduzida por atletas, em revezamento até os locais dos Jogos, cruzando estradas, montes e maresia, a chama só se apaga na solenidade de encerramento dos Jogos.

Modalidades da antiguidade

Corrida - era o esporte mais nobre das Olimpíadas da Era Antiga. Até os 13ºs Jogos, em 728 a.C., foi a única competição disputada. Os atletas corriam nus uma distância de um estádio (600 pés ou 192,27 m). Em Olímpia, o estádio tinha formato de "U" e capacidade para 45 mil pessoas

Pentatlo - é a combinação de cinco esportes (salto em distância, corrida, arremesso de disco, lançamento de dardo e luta livre). De acordo com a mitologia, o inventor do pentatlo foi Jasão

Salto em distância - os atletas competiam utilizando halteres em suas mãos e as provas eram disputadas ao som de flautas

Arremesso de disco - esporte que é citado em um poema de Homero, muito apreciado pelos gregos. Inspirou uma das mais famosas obras de arte da Idade Antiga, o "Arremessador de Discos", de Myron

Lançamento de dardo - um dos esportes mais praticados pelos heróis da mitologia grega. Separado em "ekebolon", em que era avaliada a distância alcançada pelo arremesso, e "stochastikon", em que o dardo tem de atingir um determinado alvo

Luta livre - também foi citada pela primeira vez em um poema de Homero

Boxe - um dos esportes mais antigos, 

Pancrácio - mistura de boxe e luta livre, considerado um dos mais dignos esportes da Antiguidade. Entretanto, na primeira vez em que foi disputado, o vencedor acabou morrendo estrangulado por seu oponente durante a luta

Corrida de cavalos - esporte aristocrático, disputado em hipódromos, com várias modalidades

Corrida de bigas - variação da corrida de cavalos, em que os animais puxavam uma pequena charrete. Tornou-se clássica na mais famosa cena do filme épico Ben-Hur, de 1959

Os esportes

Esporte é sempre esporte, porém, nem todo esporte é olímpico. Quem decide se um esporte entra ou não em um programa olímpico é o COI. 

Como regra geral, um esporte é considerado olímpico se ele é praticado por homens em, no mínimo, 75 países e quatro continentes e, no caso das mulheres, se é praticado, no mínimo, em 40 países e três continentes. 

Mesmo se enquadrando na regra geral, isto não significa que o esporte estará incluído no programa dos próximos Jogos Olímpicos. Para evitar um número gigantesco de esportes e, consequentemente de atletas, inviabilizando assim, a organização dos Jogos, o COI definiu que um esporte só entra se outro sair. Novamente essa decisão de quem entra ou sai é realizada pelo COI, que analisa cada modalidade.

De qualquer maneira, nenhum esporte é incluído no programa no ano de realização dos Jogos. O esporte deve ser admitido no programa, com 7 anos de antecedência dos Jogos em questão.


* Deonisio Formentini, professor de História

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