Gaúcho nasceu para ser livre
Quem nasce sob as bênçãos deste chão
Trás no sangue a marca gaúcha de quem sabe pelear.
Ostenta com orgulho seu Rio Grande, sua herança...
Que trás estampado no peito todo o gaúcho desde criança.
Em cada “eu sou gaúcho” ecoa em liberdade
Mais que a voz é um grito corajoso e retumbante
De um povo heróico, aguerrido e bravo...
Gaúcho nasceu para ser livre, não há quem o faça escravo!
EU SOU GAÚCHO... E DESSE JEITO EU SOU FELIZ
NÃO ME LEVE A MAL... O RIO GRANDE É MEU PAÍS
Eu sou Gaúcho, por favor não leve a mal,
do interior, capital me acompanha o chimarrão.
Uso bombacha, em qualquer lugar que ande
tenho orgulho do Rio Grande, minha terra meu rincão.
Todos os dias eu retiro meu chapéu
Agradeço ao Pai do céu
por ter nascido Gaúcho...
Canto meu hino com a mão no coração
sou a própria tradição
De um povo simples sem luxo.
EU SOU GAÚCHO... E DESSE JEITO EU SOU FELIZ
NÃO ME LEVE A MAL... O RIO GRANDE É MEU PAÍS
Sou gaúcho!
Sou gaúcho de tradição,
Do churrasco ao chimarrão.
De montar cavalo xucro,
Mesmo que isto não me de lucro.
Pois faço o que faço,
Nem to ai pro fracasso.
Quero mesmo é honrar a tradição
Pois dentro do peito, bate forte o amor pelo meu chão.
Embora bagual na lida campeira,
Sou bastante carinhoso com minha parceira
Gaúcho que leva flores,
Gaúcho de muitos amores.
Amor pela pátria querida
E a minha chinoca bonita.
Parceiro dos amigos
E não cultivo inimigos.
Alguém que não frouxa na peleia
E não se mete na vida aleia.
Sou um gaúcho de coração
Sou gaúcho por natureza
Nasci com a certeza
E a cultura deste chão
E honrar a tradição
Na escola não deu pra aprender
Então tive que viver
E entender a realidade
Sem precisar de faculdade
Aprendi tudo a respeito
E hoje bato no peito
Com sabedoria segura
Se eu tenho cultura
Com a vida aprendi
Hoje estou aqui
Com absoluta simplicidade
E com muita humildade
Dizer, que desta terra eu sou cria
Sempre fui um peleador
E dei muito valor
A quem eu achei que merecia.
Com Paz Amor Alegria
Do meu coração brota o AMOR.
CHIMARRÃO
Amargo-doce que eu sorvo,
num beijo em lábios de prata,
tens o perfume da mata,
molhada pelo sereno;
e a cuia, seio moreno,
que passa de mão em mão,
traduz no meu chimarrão,
em sua simplicidade,
a velha hospitalidade
da gente do meu rincão.
Trazes à minha lembrança,
nesse teu sabor selvagem,
a mística beberagem
do feiticeiro charrua,
e o perfil da lança nua,
apontando, firme, a trilha
por onde rolou a história
empoeirada de glória
da Tradição Farroupilha.
Em teus últimos arrancos,
no ronco do teu findar,
ouço um potro corcovear
na imensidão deste Pampa;
e em minha mente se estampa,
reboando dos confins,
a voz febril de clarins
repinicando “Avançar!”.
Então, me fico a pensar,
apertando o lábio, assim,
que o amargo que está no fim,
que a seiva forte que eu sinto,
é o sangue de 35
que volta, verde, pra mim!
Autor: Glaucus Saraiva
A LENDA E A PRENDA
Das raças que se fundiram
Criando a nossa feitura,
Eu tenho a fibra e o sangue
Que me faz ser uma Prenda
Pois tenho resquícios de lenda
Na minha própria figura.
A bugra foi a mulher
Daquela raça nativa
Que acabou sendo cativa
Do branco que aqui chegou.
E nessas paragens pampeanas
Quantos instantes sensuais
Não tiveram os ancestrais
Do homem que me gerou.
E nessa miscigenação
De cruzamentos selvagens,
Formou-se nestas paragens
A família primitiva.
Por isso me sinto as vezes
Encarnando a viva estampa
da mulher, filha do Pampa,
Austera, rija e altiva.
Quando derramo as lágrimas
Brotadas duma paixão,
E o meu chucro coração
Com emoção corcoveia;
Quem sabe se não encarno
OBIRICI a Virgem Vencida,
Que verteu lágrimas sentida
Formando o Passo da Areia.
Ou quem sabe se a minha alma,
Toda em fogo consumida,
Não revive aquela vida
Que morreu numa fogueira:
E minhas faces coradas
E os meus lábios de rubi,
Relembram a índia ANAHÍ,
Que é a flor da corticeira.
E outras bugras sacrificadas
Em holocausto ao amor,
Que hoje são rios ou são flor,
Dessas lendas do rincão,
Me deram a alma e os anseios
Pra ser a imagem rediviva
Da mulher gaúcha, nativa,
E ser Prenda da Tradição!
Autor: Dimas Costa
* Deonisio Formentini, professor de História.
Nenhum comentário:
Postar um comentário