2023 - O CENTENÁRIO DE UM PIONEIRO
Nesse ano de 2023, no dia 07 de julho, celebramos o centenário do nascimento de RICIERI LUIZ FORMENTINI (07 de julho de 1923 - 27 de julho de 2001), que foi um dos moradores do município do Braga-RS onde formou sua família e, como era agricultor, acabou sendo o pioneiro no plantio de soja nesta região.
Conheça um pouco sobre a história da Família Formentini, desde a sua origem na Itália, a vinda para o Brasil e a formação de muitas famílias, que encontram-se espalhadas pelo Brasil.
FAMÍLIA FORMENTINI NO BRASIL
O ano de 1877 marcou a chegada do primeiro casal Formentini no sul do Brasil. Ângelo Formentini e Ângela Formentini deixaram a Itália, mais precisamente a cidade de Bariano, província de Bergamo, em um navio em direção ao porto de Paranaguá no Brasil.
Ângelo Formentini nasceu aos 14/07/180 em Bariano, era filho de Giovanne Formentini e de Catterine Danelle. Casou-se com Ângela Pioldi em 26/10/1871, que era filha de Dionigi Pioldi e de Rizzi Battistina. Tiveram 05 filhos: Giacomo, Catterina, (ambos nascidos em Bariano, na Itália), Luis, Simão e José (nascidos em Coronel Pilar, Garibaldi-RS).
O casal de imigrantes Formentini morava na pequena cidade de Bariano, próxima a praça central, onde as famílias consideradas importantes geralmente moravam e foi dali, que partiram para a América.
Deixaram a Itália por muitos motivos, como: seca, doença, miséria. Desde 1870, a família de Ângelo, não tinha terra, não tinha casa, eram meeiros, arrendatários de uma grande família, dona de uma grande parte das terras da região onde viviam, família essa do senhor Francesco Grataroli.
Os nossos antepassados saíram de Bergamo, mas no país (Itália) ainda encontram-se muitas pessoas descendentes da família Formentini.
Não sabemos exatamente onde desembarcaram Ângelo e Ângela Formentini aqui no Brasil, sabe-se que fixaram residência no interior de Garibaldi, na Linha 90, hoje município de Coronel Pilar-RS.
Após a chegada na terra de Coronel Pilar a família Formentini, assentada na pequena propriedade e no trabalho familiar, vai crescendo e tornando-se numerosa. Dos filhos de Ângelo e Ângela, cada um seguiu o seu destino e compuseram as suas famílias que ficaram numerosas.
Giacomo Formentini, casou-se com Maria Scapini em 29/01/1890 e tiveram 15 filhos, que são: Ângelo, Rodolfo, Dovílio, , Luis, Manuel, César, Catarina, Joana, Cândida, Elvira, Cilena, Carolina, Rosa e Pedro.
Luis Formentini, casou-se com Maria Tirloni em 18/07/1904 e tiveram 11 filhos, que são: Abramo, Lourenço, Teodosio, Olívia, Helena, Aurélio Leonelo, Ricieri, Vitalino, Ambrosina, Oriele, Rosa.
Simão Formentini casou-se com Fortunata Grillo em 24/11/1906 e tiveram 04 filhas, que são: Rosalia, Amábile, Elvira e Celestina.
José Formentini casou-se com Maria Tombini em 28/01/1911 e tiveram 14 filhos, que são: Constante, Carmela, Oriele, Abel, Leopoldina, Albano, Máximo, Anna Maria, Ricieri, José, Genuíno, Gema, Oliva e Irene.
A menina Catterina nasceu em 02.09.1872 na cidade de Bariano, Itália. Quando a família embargou para o Brasil (31.01.1877), ela estava com 04 anos de idade. Devido as más condições de higiene e saúde no qual a maioria dos imigrantes eram submetidos dentro dos navios que os traziam até a América, Catterina acabou falecendo no dia 15.03.1877, a bordo do navio, conforme registro encontrado do ato de sua morte, registrado pelo capitão do navio que os transportavam, conforme segue abaixo:
O Engarregado
Assinado : G. BREYER
No ano 1878, no dia 18 do mês de janeiro, eu subscrito Giuseppe Masciocchi, secretário oficial da Prefeitura de Bariano, recebi hoje uma carta com data de 15 do corrente mês de fevereiro, n° 278, no protocolo junto ao qual encontrei uma cópia do Ato de Morte de Catterina FORMENTINI.
ATO DE MORTE
No ano de mil oitocentos e setenta e sete, Ano do Senhor de 1877 , no dia 15 do mês de março, a bordo do BRICH Barca denominado RAMÓ, inscrito no compartimento maritimo de Genova. Partiu de Genova em 31 de janeiro do mesmo ano (1877) com direção a paranaguá (Brasil), um comboio de passageiros colonos, e achando-se na altura latitudinal 1°24min. Norte e longitude 24° 06min. a Oeste.
Nós, Capitão Filippo Drago, Mario Antonio Ramó e Luigi Canale, do dito comboio, notificamos a morte da menina Catterina FORMENTINI, filha de Angelo e Angela de Bariano, Província de Bérgamo. Juntos nos reunimos em torno do corpo e obdervamos que apresentava sinais de morte evidente. Em fé de que, nós Capitão Filippo Drago e o segundo Mario Antonio Ramó e Luigi Canale, assistente, escrevemos o presente ato em presença dos seguintes testemunhas, dadas e obtidas as qualidades requeridas pela lei depois de ter lido o presente Ato.
Assina : Mario Antonio Ramó
Assina : Luigi Canale, assistente.
Por conforme o original existente anotei no meu diário naútico.
Montevidéo, 15/06/1877
Assinado – Filippo Drago.
Visto, Montevidéo, dia 2/07/1877
H.R. Vice Consul= oficial delegado do serviço civil.
Assinado : F. BRUNIZ, Ministro das Relações Exteriores
Visto para legalização de assinaturas, Roma no dia 15/12/1877
O engarregado. Assinado : G. BREYER
Foi completada a transcrição com o meu visto, a qual foi inserida uma cópia no volume dos anexos a esse registro.
D. Giuseppe.
A família de Ângelo e Ângela Formentini, após fixaram residência na localidade de Linha 90, Garibaldi,
atual Coronel Pilar, com o passar dos anos e na medida em que os filhos iam casando e formando as
suas respectivas famílias, espalharam-se por vários municípios do RS, Paraná e outros estados do Brasil.
Como a família foi tornando-se numerosa e ocupando diversas regiões do nosso estado e de
outros estados do Brasil, desconhecemos o quantos somos e onde estamos, por isso aqui há um registro
da descendência no qual mais temos contato que é de José Formentini, que nasceu em 08.01.1888 e faleceu em 25.01.1969, em Coronel Pilar. Teve 14 filhos, dentre os quais, Ricieri Luiz Formentini (meu avó), que juntamente com mais 03 irmãos (Albano, Carmela e Irene) vieram colonizar o município de Braga-RS.
Uma das curiosidades da família de José Formentini e de Maria Tombini Formentini foi que, muitos dos
seus filhos, acabaram casando com irmãs de outra família, demonstrando-se assim, uma maneira de vida
daquela época, onde os pais permitiam os casamentos de seus filhos, sempre com famílias importantes e
tradicionais do local onde moravam.
Ricieri Luiz Formentini nasceu em 07.07.1923, na localidade de Coronel Pilar em Garibaldi, RS e
casou-se em 08.03.1944 com Clemen Longhi, nascida em 03.08.1924, filha de Marco Longhi e de
Tereza Longhi. Tiveram 12 filhos que são: Aldo, Onildo (meu pai), Iria, Domingos, Marilena, Roberto
(falecido), Elvira, Teresinha, Darci, Valdir, Cleni, Marcos (falecido). Após o casamento foram morar
juntamente com o seu pai, José Formentini, mais o seu irmão, Albano Formentini e esposa, na mesma
casa, na localidade de São Sebastião. Moravam às 03 famílias, por um período de aproximadamente
03 anos, depois mudaram-se para uma terra próxima a atafona de seu tio Máximo. Nove meses após
o casamento foi chamado para cumprir o serviço militar em vista da emergente 2ª Guerra Mundial de
1945. Como as regras do quartel de então eram rígidas, não pode estar presente por ocasião do
nascimento do seu primeiro filho. Somente seis meses depois foi liberado do serviço militar, como
também de ir para a guerra, pois estava chegando ao fim. Depois disso voltou para casa, conheceu
o filho e continuou os trabalhos duros da vida de trabalhador da roça.
Na localidade de São Sebastião, Ibirubá, havia muitas famílias e pouca terra. Diante disso preparou-se
para migrar novamente, a região escolhida foi a então Vila Braga, região essa escolhida porque aqui,
tinha vindo uma irmã casada com o senhor Ricieri Rebelato, a senhora Carmela Rebelato, e os mesmos
relataram que aqui, a terra era boa, farta e barata. Assim, o senhor Ricieri e o seu irmão Albano
resolveram vir conhecer e acabaram comprados aqui suas terras. A viagem foi de caminhão, vieram
com a ajuda de algumas pessoas de Alfredo Brener, que trouxeram de lá o caminhão usado para trazer
a mudança. Chegaram em outubro de 1950. Trouxeram também um cavalo, uma junta de boi e uma
vaca. Ficaram morando lá na colônia, porque quando compraram as terras, foi deixado pessoas pra ir
fazendo um galpão, onde moraram por uns dois ano, até fazerem uma casa. Na época já trouxeram 03
filhos: o Aldo, o Onildo e a Iria com 01 ano, os outros todos nasceram aqui. Logo que chegou começou o
trabalho duro de desbravar a terra com a rude foice, machado e arado. Alguns anos depois começou um
novo tipo de atividade rural, ou seja, plantação de mandioca e produção de mandioca.
Foi feita a atafona porque aqui não tinha, foi plantada a mandioca levando em conta que a terra era boa
para essa cultura e, na atafona era produzida a farinha. Trabalhavam muito, eram duas famílias que
mantinham em funcionamento (Ricieri e Albano). As vezes, quando era muito o serviço, tinham algum
empregado quer era pago por dia, A farinha vendia para um negociante que comprava e depois vendia
para as cidades maiores como Ijui e Santa Rosa. Era um trabalho pesado porque só trabalhava-se no
inverno, época que a mandioca parava de crescer. Tinha que ir até na lavoura arrancar ela e puxar ela,
limpar e depois, no depósito, descarrega ela e passar pro elevador e levar para o ralador, leva para
prensa e tirava aquela água, para depois ir pro forno e ai torrava ela para virar a farinha. Por causa do
trabalho na atafona, a família tinha luz elétrica, que era gerada por um dínamo, que gerava luz para o
funcionamento da atafona.
Aos poucos foi trocado o plantio da mandioca pela soja, desconhecida e pouco cultivada até então na
região, porque a mandioca não dava mais, a atafona foi vendida aos poucos. Diante disso começou logo a
preparar a terra para o cultivo deste novo cereal (soja). Logo nos primeiros anos se colhia a soja com foice,
depois com trilhadeira, aí veio a máquina e o trator também. Assim tornou-se um dos primeiros plantadores
de soja do município bem como um dos primeiros a usar trator e colheitadeira. Desde a década de 70
dedicava-se ao trabalho de preparar a terra, plantar as sementes e colher os seus frutos.
O senhor Ricieri Luiz Formentini, com toda a sua família, foi de grande importância para a formação
e desenvolvimento do município de Braga. Analisando documentos de várias entidades do nosso
município, encontram-se membros da nossa família atuando diretamente na administração dessas
entidades, fazendo parte atuante das diretorias.
São exemplos disso, a diretoria da Igreja Santa Catarina, onde o senhor Ricieri Luiz Formentini foi muitas
vezes da sua diretoria, inclusive sendo presidente por alguns anos dessa entidade e em outros momentos
fazendo parte como membro atuante da mesma. Conforme as atas encontradas, onde se registravam a presença
de todas as pessoas que compareciam, demonstrando a sua assiduidade e, principalmente, contribuição com
a Igreja, que pode ser comprovada (também nas atas) através de doações que a família fazia à mesma,
como: animais (para as festas realizadas pela mesma), madeira (construções) e do seu trabalho voluntário,
durante muitos anos.
Outro exemplo de dedicação e trabalho da família Formentini é na Diretoria do Círculo de Pais e Mestres
da atual Escola Estadual de Ensino Médio Santo Pazini, onde estudaram alguns de seus filhos.
A família não era só trabalho, gostava também de uma diversão, que naquela época era o jogo de
futebol. Na cidade temos dois clubes: Gaúcho e São Luiz. O clube Gaúcho foi, muitas vezes, administrado
por membros da nossa família, tanto como presidente ou como membros atuantes da diretoria e, inclusive,
do próprio time de futebol. Em algumas épocas, o senhor Onildo Formentini era o goleiro titular do mesmo
(conforme a foto ao lado), e o seu pai, seus irmãos e primos também faziam parte do time, da diretoria e
das promoções realizadas pelo mesmo.
Também encontramos na diretoria do CTG Querência da Saudade de Braga-RS, membros da nossa
família fazendo parte da sua diretoria e contribuindo para a sua formação e manutenção da instituição.
Após a emancipação política do município de Braga-RS, ocorrida em 08.05.1966, também encontramos
membros da Família Formentini, compondo a bancada dos vereadores do nosso município, em diversas
legislaturas, eleitos pelos tradicionais partidos do município, que eram: ARENA, PDS, PPB, atual PP.
A família mudou-se para a sede do município, por volta da década de 70, porque tinham alguns filhos
para estudar de noite e era necessário ficar mais perto da escola, e os filhos solteiros, juntamente com o pai
e alguns empregados, continuaram com o trabalho na lavoura.
Ricieri Luiz Formentini, faleceu no dia 27 de julho de 2001, no Hospital Universitário da PUC de
Porto Alegre, vítima de carcinoma pulmonar, chocou profundamente os familiares, bem como toda
comunidade braguense.
A ordenação de um Formentini
Faz parte da família Formentini, o único braguense ordenado padre, trata-se de Valdir Antônio Formentini,
nascido aos 25 de novembro de 1961, que se ordenou padre em 23 de novembro de 1991, membro da
congregação dos Oblatos de São Francisco de Sales.
Para a sua família, em especial para a sua mãe, quando Valdir quis ser padre achou-se que foi da
vontade dele e que foi Deus que o chamou pra ser padre. Clemen Formentini, diz que “Meu coração
ficou feliz e foi uma alegria pra mim, porque é um caminho bom. Estou feliz”. Toda a família incentivou
o Valdir a tornar-se padre, inclusive o seu pai, que era muito religioso. Trabalhou na CNBB Sul III
como Assessor Estadual da Pastoral da Juventude e também foi Pároco da Igreja São Carlos, em
Monte-Carlo, Principado de Mônaco por 4 anos. Hoje trabalha na Paróquia de Santa Isabel, município
de Viamão-RS.
A Praça Municipal Ricieri Luiz Formentini
No ano de 2000 foi construída uma praça municipal, localizada entre os logradouros da Avenida Marechal
Floriano Peixoto, Rua Campo Sales, esquina com as Ruas Bento Gonçalves e Santo Pazini, mais precisamente
na entrada do nosso município.
Conforme o relato do Prefeito Antonio Juarez de Jesus Mello, prefeito da época, a construção da pra
tinha como um dos objetivos principais, o de embelezar a entrada da nossa cidade e a referida praç
passou a se chamar Praça Municipal Ricieri Luiz Formentini. Uma justa homenagem da administração
municipal, a esse cidadão e toda a sua família pelos relevantes serviços prestados para o
desenvolvimento do nosso município. Nela encontram-se um Cristo que a sua construção, se deve
pelo fato que o senhor Ricieri deu total apoio para que o seu filho Valdir Antonio Formentini se tornasse
Padre, sendo a única família que deu um padre para o município. Essa praça foi criada pela Lei
Municipal nº 0761, de 11 de abril de 2000.
Os Encontros da Família Formentini
Buscando entender um pouco de como ocorreu a formação da nossa família e, principalmente de saber o
quanto somos e onde estamos, o Padre Valdir Antonio Formentini, que esteve várias vezes na Itália (foi pároco
de Mônaco), esteve pesquisando e reunindo documentos da nossa história. Para apresentar um pouco
dessa história e mostrar para os seus descendentes e ascendentes da família, juntamente com uma comissão
de apoio e pesquisa, foi realizado o 1º Encontro da Família Formentini, no dia 17 de fevereiro de 2008, na
cidade de Ibirubá-RS.
A cidade é um dos lugares onde se encontram muitos familiares ligados aos Formentini e foi a partir dessa
cidade, que muitos colonizaram outros municípios gaúchos, inclusive Braga.O encontro foi a primeira oportunidade de conhecermos um pouco das pessoas que formam a nossa
família. Além de conhecer, foi o momento de rever muitas pessoas que não encontrávamos há muito tempo.
Foi marcado por uma missa de ação de graças, um momento que foi apresentado um pequeno histórico do
casal Ângelo e Ângela Formentini e logo após um almoço de confraternização acompanhado com comidas
típicas da culinária italiana. Conforme relato dos organizadores, no encontro estiveram aproximadamente
450 pessoas. Após o almoço, ocorreu apresentação de coral e grupos cantando músicas italianas.
Os encontros para reunir os descendentes da Família Formentini continuaram sendo realizados, em
diferentes anos e lugares. Tais como:
II Encontro da Família Formentini – aconteceu em 19 de dezembro na cidade de Coronel Pilar-RS;
III Encontro da Família Formentini – aconteceu em 26 de janeiro de 2014, na cidade do Braga-RS;
IV Encontro da Família Formentini – ocorreu na Linha 90, cidade de Coronel Pilar, no dia 23 de
outubro de 2016.
V Encontro da Família foi no dia 13 de outubro de 2019, na cidade de BENTO GONÇALVES-RS,
tendo como local o CTG Laço Velho.
VI Encontro da Família aconteceu no dia 22 de abril de 2023, na comunidade de Santa Luzia de
Rio Azul, cidade de Palotina-PR.


❤👏👏👏👏👏👏👏🤝🙏🙏
ResponderExcluirParabéns belo trabalho conheci um pouco da história de família braguense seu Ricieri albano e outros da família . Chegando trabalhandor nas terras dessa família.
ResponderExcluirParabéns... muito bom poder conhecer um pouco da origem de uma família tradicional da nossa cidade.
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